Os dois candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, defrontam-se de novo num debate televisivo esta noite (às 02h00 portuguesas)

Os dois candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, defrontam-se de novo num debate televisivo esta noite (às 02h00 portuguesas), quando a campanha eleitoral está numa fase negativa, com os democratas a responderem aos republicanos relembrando um escândalo financeiro em que John McCain esteve envolvido nos anos 1980.

O "primeiro acto", há pouco mais de uma semana, terminou com um empate técnico entre os dois (embora a opinião dos espectadores pendesse para Barack Obama no final). O formato deste segundo confronto vai ser diferente: em Nashville, não será apenas o veterano jornalista da NBC, Tom Brokaw, a interpelar os candidatos; membros da audiência, seleccionados por serem independentes ou estarem ainda indecisos, vão interrogar McCain e Obama.

A maior diferença, contudo, tem a ver com as circunstâncias: Barack Obama conseguiu solidificar uma vantagem de oito pontos. A fasquia está, portanto, mais elevada e a margem de erro é cada vez menor - particularmente para McCain (embora Obama também tenha muito a perder se a sua prestação for um desaire).

A campanha republicana está confiante que, dada a preferência de John McCain por este tipo de eventos, o candidato republicano sobressairá. A candidatura de McCain sofreu um sério revés com o agravar da crise económica - os estrategos republicanos dizem que o debate desta noite é uma oportunidade para redefinir os termos da corrida que não pode ser desperdiçada e prometem uma prestação poderosa do senador.

Nos últimos dias, McCain tem estado recolhido ao seu rancho no Arizona para se preparar para o debate. Sozinha no terreno, a sua parceira Sarah Palin insistiu no novo argumento de que "Obama é amigo de terroristas". E para os próximos dias prometeu novas revelações sobre o "verdadeiro Obama", - os comentadores viam nas suas palavras um sinal de que "a corrida presidencial entrou na sua fase mais feia e rancorosa".

O caso "Keating Five"

Num comício na Carolina do Norte, um estado tradicionalmente republicano que Obama acredita poder estar em jogo, o democrata pediu calma aos seus apoiantes, desvalorizando os ataques pessoais. Mas a sua candidatura também começou a lançar dúvidas sobre o carácter de John McCain: numa ofensiva "multimédia", os democratas decidiram também jogar o trunfo da "culpa por associação", lembrando o envolvimento do senador republicano no escândalo financeiro "Keating Five" do final dos anos 1980. A campanha pôs a circular um email com um link para o website KeatingEconomics.com, onde um documentário de 13 minutos se apresenta como uma "janela" para a visão de John McCain sobre a economia "no passado, presente e futuro".

O escândalo "Keating Five" teve a ver com a falência banco Lincoln Savings and Loan, que foi intervencionado pelo governo, numa medida que custou 124 mil milhões de dólares. Cinco senadores (quatro democratas e John McCain) foram acusados de corrupção e investigados pelo Comité de Ética do Congresso por causa da sua intervenção em favor de Charles Keating - o dono do Lincoln, um dos maiores financiadores políticos de McCain e que acabou por ser condenado a uma pena de prisão. O republicano do Arizona foi ilibado, mas recebeu uma reprimenda pelo "mau julgamento" revelado no processo.

Os comentadores assinalavam a evidente contradição entre a promessa de um novo tipo de política de Obama e estes anúncios francamente negativos, destinados exclusivamente a pôr em causa o carácter e personalidade do adversário. O risco, diziam, é exactamente o mesmo que aquele que corre a campanha republicana: os inquéritos de opinião mostram uma reacção mais negativa dos eleitores indecisos, quando os candidatos se envolvem em ataques.

A senadora de Nova Iorque e antiga candidata à nomeação democrata Hillary Clinton considerou "muito boa" a prestação de Sarah Palin no seu único debate televisivo, na passada quinta-feira. "É incrível: ela foi atirada para o palco nacional com muito pouca preparação e, atendendo às circunstâncias, acho que conseguiu ser composta e eficiente", comentou a senadora, uma das personalidades consultadas pelo candidato democrata Joe Biden para obter conselhos sobre a melhor forma de debater com uma mulher.

Hillary gostou de ver a governadora do Alasca, mas, como sublinhou, gostou mais de Joe Biden - a performance do seu correlegionário foi, no seu entender, "perfeita".

No Público

O segundo debate

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