Donnerstag, 24. April 2014

A quinta dimensão

"Comemorar Abril agora tem que ser um novo ato de libertação cultural e política. Essa será a sua quinta dimensão: a capacidade de renascer da sua própria liberdade." 


1) Não sei o que escrever sobre o 25 de Abril. Tudo está dito e está sempre tudo por dizer.  Para mim começou quando o vizinho,  um oficial do exército  argelino,  foi bater-me  à porta, às sete da manhã. Havia um telefonema para mim (nós não tínhamos telefone). Era o Aquino de Bragança: "Lisboa está tomada".  E eu a responder: "Isso foi o Afonso Henriques". Mas ele insistiu: "Os tanques estão na rua, desta vez é a sério". Fui avisar a Mafalda, que já estava a tratar do Francisco, nosso filho, então com oito meses. Havia em nós  um misto de entusiasmo e de dúvida. Quem tinha mandado os tanques para a rua?  Golpe de direita? Ou outra coisa?

 Corremos para a sede da Frente Patriótica, onde já estava o Piteira Santos.  Falou-se para Paris, tentou-se Lisboa, mas só muito mais tarde se conseguiria. A rádio argelina dava notícias, mas  não acrescentava grande coisa. Idem com a rádio francesa. Passámos a manhã  ao telefone e junto à rádio. Ao princípio da tarde, fomos convidados pela agência France Press, de onde acompanhámos os acontecimentos. Notícias de povo ao lado dos revoltosos. Bom sinal. Quase ao fim da tarde, sintonizei a Emissora Nacional. Transmitia canções do Zeca Afonso  e do Adriano, algumas com letra minha. Kaúlza  de Arriaga não era com certeza. E vimos,  então, pela televisão, as primeiras imagens: os tanques no Largo do Carmo, o povo a apoiar, cravos nas espingardas. A detenção de Marcelo Caetano, a queda do regime, a primeira conferência  de imprensa da Junta de Salvação Nacional, presidida por Spínola, o nome de quem se falava e, de certo modo, por quem se esperava. Não sabíamos ainda  quem era Otelo, nem Salgueiro Maia.

 Começámos  a intuir que aquele golpe militar se poderia transformar em revolução, a Revolução  que tínhamos sonhado, pela qual  tantos resistentes tinham lutado e que estava a ser feita  por militares, gente  sem rosto e sem nome, à exceção de Spínola, que parecia ser o chefe, mas, afinal, talvez não fosse. Decidimos regressar. Foi uma semana de alegria e agitação, momentos irrepetíveis. Pela primeira vez, em muitos anos, conseguimos falar ao telefone com as famílias. Toda a gente chorava. Até o Piteira Santos.

 Fomos recebidos pelo Presidente (da República da Argélia) Boumédiène.  Partimos dia 30. A minha mãe telefonara a pedir para entrar em contacto com o Galvão de Melo, com quem eu conspirara em Angola. Ele afirmou, de modo misterioso e ambíguo, que era melhor não entrarmos no dia 1 de Maio, dado que podia haver confrontos em Lisboa e a nossa presença não seria bem vista por alguns membros  da Junta de Salvação Nacional. Nunca logrei esclarecer se Galvão de Melo falou por si próprio ou por outros. Seja como for, nós não queríamos ser um fator de perturbação. A Stella (mulher de Piteira Santos), a Mafalda e o Francisco (com o seu passaporte argelino) partiram de comboio, de Madrid para Lisboa. Havia gente à espera no aeroporto, mas o  Piteira e eu ficámos em Madrid.

 Perdemos o 1º de Maio e isso é irrepetível. Voltámos no dia 2. Havia muitos amigos à espera, políticos, poetas, gente anónima, as famílias que  há muito não abraçávamos. O Lopes Cardoso e o Varela Gomes conduziram-nos à Junta de Salvação Nacional e então, por acaso, ou talvez não, encontrei-me à porta com o meu amigo Ernesto Melo Antunes, que estava regressado dos Açores e sempre  tinha previsto que o regime  seria derrubado por militares. Eu trazia uma carta do moçambicano Jacinto Veloso para Otelo. Entreguei-lha em casa de amigos. Nessa altura, o nome dele  ainda não era muito conhecido. Não se sabia quem ele era, ele próprio ainda não sabia que já tinha entrado na História.  Desses primeiros dias recordo a festa, uma espécie  de plenitude, um estado de  graça. E também uma irresistível subversão que mudava os hábitos, a linguagem, os comportamentos.

 Todos eram  revolucionários, todos tinham feito a sua opção de classe. Lembrei-me do que tinha dito Garrett, depois da vitória da  Revolução Liberal:  os revolucionários que a tinham dirigido pareciam conservadores, os que pouco ou nada tinham  feito arvoravam-se em mais liberais do que os liberais. Algo de parecido estava a acontecer. Talvez nunca fosse possível regressar de um tão longo exílio. Será que, afinal, somos reacionários?, perguntou  Piteira Santos perante essa tão grande e súbita erupção de revolucionários.  O certo é que estávamos de novo em casa, na Pátria libertada, a viver um momento único e irrepetível, como se a História tivesse acelerado e irrompesse  dentro de cada um de nós, para mudar a vida  e abrir um horizonte onde tudo parecia ser possível.  Isso foi o essencial dos primeiros dias da Revolução de Abril, cuja primeira dimensão é a liberdade.

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Mittwoch, 23. April 2014

"Somos do estofo de que os sonhos são feitos..." — Prospero


Hoje, há 450 anos nascia William Shakespeare!
Profundo conhecedor da natureza humana, é justamente considerado como o maior dramaturgo do mundo, pela elevada beleza da sua linguagem, pelas verdades que dramatizou e pelo realismo das personagens que criou.

Ler os Sonetos de Shakespeare é prazer pessoal sem fim.

Dienstag, 22. April 2014

"Eu saí da Terra três vezes. E eu descobri que não há outro lugar para ir" Wally Schirra


 O Dia da Terra foi criado pelo senador português João Mendonça, no dia 20 de Abril de 1970 com a finalidade de criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra.
 O Dia Internacional da Mãe Terra, celebrado em 22 de Abril, só foi reconhecido pela ONU em 2009, quando a mesma reconheceu a importância deste dia.

A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

Mein Foto
Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

Quem me lê

I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

Certificado de Participação
"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

ZEIT ZUM LESEN
Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

Muito obrigada, Tossan!

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Muito obrigada à Edna pela nomeação

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Muito obrigada à Cleopatra Moon pela nomeação!

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Da minha amiga de sempre a Isabel Cabral!

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

Da TETÉ

DIA DA TERRA

"Eu saí da Terra três vezes. E eu descobri que não há outro lugar para ir", disse o astronauta Wally Schirra
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FONTES

Do ARTISTA MALDITO

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Do Artista Maldito

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EMATEJOCA

Jardim de Amizade

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Obrigada, Beatriz!

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A 83ª cerimónia dos Óscares está marcada para o dia 27 de Fevereiro, no Kodak Theatre, em Los Angeles, Califórnia, sendo os nomeados conhecidos em Janeiro.

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