A Balada de Adam Henry

A balada de Adam Henry, o livro mais recente do britânico Ian McEwan, é — na minha opinião — um dos trabalhos mais fracos do autor. 
Fiona Maye é juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”. O seu sucesso profissional esconde os fracassos na vida privada. Prestes a completar os sessenta anos, o marido pretende viver uma relação apaixonada com outra mulher.
Perto de completar dezoito anos, Adam Henry sofre de leucemia e depende de uma transfusão de sangue para sobreviver. Ele e os seus pais são Testemunhas de Jeová e recusam o tratamento. Fiona argumenta com brilho em favor do racionalismo e repele o fervor religioso. 
Adam revela-se um jovem culto e sensível, que entra de modo inesperado na sua vida. A crise doméstica e o envolvimento emocional com Adam — que oscila entre a maternidade reprimida e o desejo sexual — surpreendem e incomodam a juíza
O jovem dedica-lhe “A Última Balada de Adam Henry”.

Kommentare

  1. Já há muito que não leio McEwan... mas o tema daria para um excelente trabalho de reflexão

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    1. Ian McEwan inspirou-se em dois processos judiciais verídicos, bem como na sentença de um terceiro caso, para escrever A Balada de Adam Henry. Em pano de fundo, uma lei britânica de 1997, The Children's Law Act.

      Até aqui tudo bem.

      Só que Ian McEwan não aprofundou o dilema entre a religião e a medicina — a morte ou a vida — daí não dar um excelente trabalho de reflexão.

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  2. Jocamiga

    Não conheço o Ian McEwen, confesso, mas também não se pode ter tudo... Mas o teu texto leva-me a comprar logo que possível a obra, embora aches que é um trabalho dos mais fracos do escritor. Gostos não se discutem...

    kleine Küsse do Pernoca Marota

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    1. Vais gostar de ler este romance, Pernoca Marota.

      Uma velhota de quase sessenta anos em crise matrimonial, envolve-se emocionalmente com um jovem de dezoito anos — um beijo fatal fá-la fracassar como juíza e como mulher racional e inteligente.

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  3. Gostei dos livros que li de McEwan. Mas também é um facto que quase todos os autores têm enredos que achamos menos interessantes. Ou que, na altura, estamos com menos pachorra para ler...

    Da tua sinopse não concluí que fosse assim tão fracote. Mas pronto, tenho tantos livros para ler e para comprar, que até desisti de fazer uma lista: logo vejo o que encontro pela Feira... :)

    Beijocas

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    1. O 6º romance que li do autor não é mau de todo, Teté, mas não é tão bom como os outros.

      Deverá a letra da lei prevalecer sobre princípios religiosos?
      O dilema moral permite introduzir no romance as digressões do discurso jurídico, mas não determina o evoluir da narrativa.
      Num primeiro momento, a lei triunfa.
      Mas um beijo muda tudo.
      Pura e simplesmente ridículo.

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  4. Por aqui
    Somos todos "testemunhas de Jeová"

    Conhecemos a cura
    mas recusamos o tratamento

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    1. Recusamos o tratamento porque a cura vem de curandeiros (não me refiro aos médicos, mas sim, a certos políticos portugueses) que são ainda muito piores do que a morte.

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  5. Deste autor penso conhecer apenas “Atonement”, através do filme baseado neste livro, e “The Daydreamer” – livro infantil.

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    1. "Saturday" e "Atonement" são os meus romances favoritos.

      Também vi o filme, Catarina, que não é tão bom como o livro.

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  6. Em contrapartida eu estou a adorar A Sombra do Vento de Zafón.
    Maravilha que ainda não tinha lido.

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    1. A Sombra do Vento consagrou o espanhol Carlos Ruiz Zafón — fenómeno editorial no mundo inteiro, com mais de 13 milhões de cópias vendidas.

      Todo o mundo leu e adorou este romance.

      Eu também o li e não lhe achei piada nenhuma.

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  7. Concordo que está longe de ser dos seus melhores livros, mas mesmo assim, gostei bastante.

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    1. Ian McEwan não aprofundou o debate entre a religião e a medicina.
      Deu mais importância à crise matrimonial e aos sentimentos da Fiona pelo garoto.

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