A BIOGRAFIA IMPOSSÍVEL DE MICHELLE OBAMA

Segredos. Parece um casal acessível mesmo com tantos seguranças e assessores ao redor. A jornalista Liza Mundy sentiu na pele que a realidade é bem diferente e que as confissões de amigos e memórias de familiares são evitadas e filtradas até ao limite e descreveu o que descobriu numa história não autorizada
Autora de 'Michelle' não teve vida facilitada
Pode dizer-se que para o mundo o perfil de Michelle Obama é sedutor e revela uma mulher simpática, uma boa mãe, uma mulher que partilha emocionadamente os sucessos do marido e que tem um posicionamento social bem consistente das suas responsabilidades nas mudanças que a América precisa de executar neste mandato de Barack. Já a opinião que a América tem dos Obama, pelo menos o retrato que os não deslumbrados pelo marketing em torno do casal-sensação de 2008, é muito menos afável e simpática do que parece para a maioria dos americanos.
E, se aos europeus é fácil imaginar as zangas domésticas entre o casal Bruni-Sarkozy, não lhes passa pela cabeça que tal aconteça entre Michelle e Obama, até porque têm presente o olhar deslumbrado com que o futuro presidente olhava apaixonado para a mulher durante um talk show, enquanto lhe retirava um pouco do batom dos dentes.
A política americana vive destes mitos e metade do país ansiava por ter novamente na Casa Branca alguém que lhes pudesse voltar a dar um papel principal na condução do mundo enquanto a outra metade desejava a possibilidade de alimentar os seus sonhos de frivolidade voyeurista, com inquilinos interessantes na mais conhecida casa de governação do mundo. Michelle Obama dá tudo isto aos americanos e, segundo a biografia de Liza Mundy, agora publicada em Portugal, terá capacidade de lhes dar mais do que esperam conforme o mandato avançar.
A própria autora fez questão de explicar que a investigação sobre a biografada foi muito mais difícil de efectuar do que estava à espera e que foram bastantes as surpresas com que se deparou por parte dos organizadores da campanha. A pessoa mais consciente da situação, confessa, foi o filho de dez anos, que um dia lhe disse: "Mãe, a Michelle Obama nunca te vai telefonar!"
Tinha razão o filho de Liza Mundy e também os que a seu tempo a avisaram de que a obstinação em escrever a primeira biografia séria da primeira mulher afro-americana que se poderia tornar primeira dama não iria ser uma coisa fácil. Confirmou-o sucessivamente quando fazia a segunda chamada telefónica para os amigos e familiares a quem solicitara depoimentos para elaborar a verdadeira história da vida de Michelle quando, curiosamente, depois de mostrarem total disponibilidade para falar dela, se apresentavam posteriormente renitentes e pediam para adiar a conversa, com todo o tipo de desculpas de última hora.
Estranhamente, a jornalista do Washington Post foi vendo surgir artigos em revistas de social, como a US Weekly e a People, repletas de futilidades, num tipo de imprensa onde os assessores sempre arranjavam um furo na agenda da mulher do candidato para responder a perguntas sobre se o marido era arrumado ou, como ela revela, deixava as meias no chão em vez de as colocar no cesto da roupa suja. Liza Mundy não se deu por vencida e a biografia sobre Michelle Obama fez-se.
Uma história com 45 anos de vida
Michelle - Uma Biografia é o primeiro livro em português (Editora Planeta) que biografa a mulher do actual Presidente dos Estados Unidos da América. O volume é de autoria de Liza Mundy, jornalista do Washington Post , responsável por artigos em áreas de política, cultura popular e questões femininas. O livro resulta de uma ampla investigação da vida da primeira dama e de várias conversas com amigos e conhecidos da família do casal. Conversa directa com Michelle Obama, Liza Mundy só conseguiu realizar uma, em 2007.
A biografia retrata com bastante atenção o empenho de Michelle na luta pela eliminação das diferenças raciais, enquadrando a sua participação nas mudanças históricas vividas pelos seus antepassados, por si e pelo casal Obama nestes seus 45 anos de vida. Designadamente, o seu percurso escolar, universitário e profissional até se integrar num escritório de advogados em Chicago. A relação com Obama até ao casamento, em 1992, ocupa uma boa parte deste volume, tal como o nascimento e educação das duas filhas.
A rapariga de Chicago que se casa com um "metade negro metade branco"
União. Quem conhece Michelle confirma que é tão determinada quanto Obama
Apesar de todas as dificuldades sentidas por Liza Mundy durante a investigação para escrever a biografia sobre Michelle Obama, o livro faz um retrato muito simpático da primeira dama e de quase tudo o que se relaciona com esta menina que nasceu em 1964, a quem foi dado o nome de Michelle LaVaughn Robinson, e que viria a casar-se com Obama no ano de 1992.
É o caso da perfeita descrição da formação da cidade natal, a Chicago multirracial, e de como a convivência entre raças foi evoluindo ao longo dos tempos e da sua vida, designadamente com um bom relato da eleição do primeiro mayor negro e uma boa descrição da expansão dos bairros segregacionistas. Capítulos de uma biografia em que se entende que o ninho familiar protegeu e formou moral e civicamente esta "ave" que iria ter voos mais altos do que os seus pais alguma vez poderiam pensar. É também o caso do óptimo retrato do meio universitário, nos polémicos anos 80, onde a jovem se formou - a Universidade de Princeton e a Escola de Direito de Harvard -, onde se mostra como as ideias de Michelle contra a preponderância da raça branca se desenvolveram e fundamentaram a sua prática nas relações sociais.
O livro começa a aquecer quando o foco se vira para a época em que Obama surge na vida de Michelle e onde o descreve como "esquisito" e o classifica como "metade negro metade branco". A biografia exibe provas de como Michelle tinha a mesma capacidade que Obama para a actividade política e desempenho do serviço público que os iria projectar.
Para a autora, Michelle é tão ambiciosa quanto o actual Presidente dos EUA e igualmente carismática. Não será por acaso que se reproduz na capa da biografia a frase: "Quem é a mulher a quem Obama chama 'The Boss'." Claramente, Liza Mundy opta pelo lado bom de Michelle, mesmo quando a critica - clamor generalizado na América - por ter dito em público: "Pela primeira vez em adulta estou orgulhosa do meu país, e não é só porque Barack fez bem, mas porque penso que o país está faminto de mudança."

No Diàrio de Notícias JOÃO CÉU E SILVA

Kommentare

  1. Bom Dia Teresa

    Fui ver a Carmen Miranda. Sim, sempre gostei de James Ensor, um artista que levanta questões muito ao meu "gosto". Falar de máscaras e das implicações filosóficas sobre o que é a aparência/aparição na arte ainda vai ser, um dia, o tema de um texto para publicar.

    Agora vão aparecer muitas biografias da senhora, ainda estão no princípio.

    Beijinhos
    Isabel

    AntwortenLöschen
  2. Xi, grandes mudanças por aqui! :)

    Quanto às biografias da Michelle Obama, devem estar só no hall de entrada...

    De uma coisa tenho quase a certeza: se ela não fosse corajosa (e ambiciosa), nunca teria entrado na Casa Branca. Só um, numa questão dessas não dá, tem de ser mesmo do casal! E se lhe andasse a azucrinar a cabeça que ele, ela, as filhas ou todos, podiam ser assassinados por um racista qualquer? Com medos desses era praticamente impossível.

    Quanto ao resto, mais do que a biografia do passado, interessa-me ver como o casal resolve o futuro...

    Beijocas!

    AntwortenLöschen
  3. O Ematejoca está totalmente mudado, dei-me conta mas esqueci-me de mencionar. Até logo, vou passear.

    Beijinhos
    Isabel

    AntwortenLöschen
  4. Bom dia Teresa

    Passei um pouquinho à pressa para lhe agradecer as felicitações para o meu filho. Muito Obrigada!
    Quem me dera ter quatro filhos, mas ... dou graças a Deus por este que tenho que só me tem dado alegrias e bem-estar.

    Hoje não teço comentários porque não li nada.
    Beijinhos
    Licas

    AntwortenLöschen
  5. Grandes mudanças por aqui.
    Que eles têm que ser ambiciosos já é sabido. De outra forma não teriam chegado onde chegaram Tenho é esperança que a ambição seja para fazer deste, um mundo melhor.

    Ps: Do lado esquerdo do meu blog está um countdown para o dia dos meus anos:)
    Beijinhos

    AntwortenLöschen

Kommentar veröffentlichen