O Prémio Nobel de Física


© Johan Jarnestad/A Academia Real Sueca de Ciências

A Academia Real de Ciências da Suécia decidiu conceder o Prémio Nobel de Física 2023 a Pierre Agostini, Ferenc Krausz e Anne L'Huillier “por métodos experimentais que geram pulsos de luz de attossegundos para o estudo da dinâmica electrónica na matéria”.

Uma ligação com mais de 10 anos

A física francesa Anne L’Huillier, cientista e professora da Universidade de Lund (Suécia) e colaboradora científica de longa data e cofundadora da Sphere Ultrafast Photonics, spin-off sediada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP),acaba de ser galardoada com o Nobel da Física.
A investigadora, que divide o prémio — no valor de 11 milhões de coroas suecas (cerca de 950 mil euros) — com Pierre Agostini, professor na Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos e Ferenc Krausz, diretor do Instituto Max Planck de Óptica Quântica e professor na Universidade Ludwig Maximilian de Munique, na Alemanha, destacou-se no estudo de eletrões com “impulsos de luz de atossegundos” e é a quinta mulher a receber esta distinção.
Os cientistas laureados criaram métodos experimentais capazes de gerar impulsos de luz de atossegundos para o estudo da dinâmica de eletrões na matéria. Por outras palavras, o que fizeram foi criar uma ‘armadilha“ rápida o suficiente para registar o que acontece em poucas dezenas de atosegundos. [Um atosegundo é 0,000 000 000 000 000 001 segundos ou 10-18 segundos.]
Hoje é um grande dia para a Ciência, para a FCUP e para a Sphere”, comenta Helder Crespo, docente da FCUP e cofundador da Sphere Ultrafast Photonics. E não é para menos. As experiências destes três investigadores, destaca a Academia Real das Ciências Sueca, em Estocolmo, “deram à humanidade novas ferramentas para explorar o mundo dos eletrões dentro dos átomos e moléculas”,  através da criação de “impulsos de luz extremamente curtos que podem ser usados ​​para medir os processos rápidos nos quais os eletrões se movem ou mudam de energia”, processos tão rápidos que até então eram impossíveis de observar.
São ferramentas que levam décadas de trabalho, num percurso que, há 10 anos, marcou, de forma significativa, investigadores da FCUP. Em 2012, realizou-se o primeiro doutoramento em co-tutela por parte da Universidade de Lund desde a sua fundação em 1666. A tese do então estudante de doutoramento em Física, Miguel Miranda, contou com a orientação partilhada de Helder Crespo e de Anne L’Huiller.
Foi deste trabalho que surgiu a spin-off de alta tecnologia Sphere Ultrafast Photonics, presidida por Rosa Romero, que este ano cumpre o seu 10.º aniversário. A tecnologia patenteada e os produtos da Sphere permitem aos cientistas medir e controlar impulsos laser ultra-curtos com apenas alguns femtossegundos de duração, que por sua vez produzem impulsos de atossegundos quando são focados em átomos e moléculas.


Anne L’Huiller, na Universidade de Lund, na Suécia, acompanhada (à esquerda) por Rosa Romero e Helder Crespo e por investigadores da FCUP e da Universidade de Lund. (Foto: DR)

Recorde-se que tanto a Universidade de Lund (Suécia) e a Universidade Ludwig Maximilian de Munique (Alemanha) são também parceiras da U.Porto no âmbito da European University Alliance for Global Health (EUGLOH), um projeto pioneiro no quadro do ensino superior europeu, que junta atualmente oito universidades de nove países.

Kommentare

  1. Deve ter sido uma descoberta importante. Veremos, na prática, se melhora a vida dos humanos e do planeta.

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    1. Teresa Palmira Hoffbauer10/03/2023

      Penso que os meus leitores não compartilham o meu interesse pelos PRÉMIOS NOBEL E LAUREADOS, por isso, fechei a caixa dos comentários. Abri uma excepção ao tomar conhecimento que o Nobel da Física 2023 foi entregue a cofundadora de spin-off da FCUP.

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