JUDAS — elogio da traição



    “O judaísmo e o cristianismo, e também o Islão, destilam todos eles o néctar da graça, da justiça e da compaixão, mas só enquanto não têm nas mãos algemas, grades, poder, porões de tortura e cadafalsos. Todas essas crenças, e mais aquelas que nasceram nas últimas gerações e continuam até hoje a enfeitiçar muitos corações, todas vieram para nos salvar e rapidamente acabaram derramando nosso sangue. Se ao menos um dia desaparecessem do mundo todas as religiões e todas as revoluções, eu lhe digo — todas, até a última delas, sem exceção — vai haver muito menos guerras no mundo”. 

No início de dezembro de 1959 Shmuel Asch — um jovem universitário tímido, meio desajeitado, que vive na Jerusalém dividida, costuma frequentar reuniões de um grupo de jovens socialistas e está às voltas com um trabalho de pós-gradução intitulado “Jesus na visão dos Judeus” — interrompe os seus estudos na universidade e pretende ir embora de Jerusalém, quando o seu pai vai à  falência e a sua namorada o deixa e se decide casar com um antigo namorado.
Passado o desespero inicial, Shmuel Asch encontra morada e emprego numa antiga casa de pedra, situada num extremo de Jerusalém. Durante algumas horas diárias, a sua função é servir de interlocutor para um velho inválido e perspicaz. Na mesma casa, vive uma mulher bonita e sensual chamada Atalia Abravanel, com quase o dobro da sua idade. 

Judas, o romance mais recente de Amós Oz, questiona a fundação do estado de Israel e as guerras que abalam o Oriente Médio. 
Na cultura cristã, Judas Iscariotes é o símbolo da traição, pois entregou Jesus Cristo aos romanos por 30 dinheiros. 
Amós Oz observa a situação de outra forma. Para ele, Judas foi o mais fervoroso apoiador de Jesus entre os discípulos, aquele que acreditava fielmente na missão do Messias em ressuscitar e instaurar um novo tempo de paz.

 No próximo encontro do Círculo Literário, em Duisburg, no dia 7 de Setembro de 2018, vamos falar sobre o romance "A Mancha Humana" de Philip Roth, mencionado entre os favoritos ao Nobel da Literatura e, considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX.

Kommentare

  1. Gostei muito do livro, sobretudo da forma como Oz desenvolve a estória e as questões que levanta.

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    1. Há muitas passagens que evidenciam o modo de pensar de Amós Oz sobre a velha questão entre judeus e palestinos. É exemplo claro da densidade de sua obra.

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  2. Não conhecia, mas parece-me interessante!

    r: Imagino. Não correu muito bem para a Alemanha, não

    Muito obrigada *-*
    É mais do que apropriada, por Portugal vale sempre ahah

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    1. A partir da história de amor entre um ex-estudante de teologia e uma mulher misteriosa, bonita e sensual, com o dobro da sua idade, Amós Oz questiona a fundação do estado de Israel e as guerras que abalam o Oriente Médio.

      Estamos de luto nacional.

      Levo a camisola do Cristiano Ronaldo e os brincos com a bandeira da Alemanha ao teatro. Uma brincadeira de mau gosto? Vamos lá ver como o público reage.

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  3. O problema não é das religiões, das raças, das crenças, dos partidos políticos. O problema grave do Mundo é a ambição do Ser "Humano" em querer ter mais do que o seu vizinho, mesmo que o não mereça. Depois como se vive em função do negócio tudo se complica. Vive-se da desgraça, desde que seja comercial. Vejamos, por exemplo, os grandes grupos financeiros chineses a investirem em dívida nos países com problemas financeiros, como acho até ter sido o caso de Portugal. Olhassem antes eles para o seu próprio País e vissem as famílias que vivem na miséria absoluta a produzirem todo o tipo de comércio e indústria para os países ricos do Mundo e talvez houvesse mais justiça na RPC e menos miséria, pobreza e fome. Este é um exemplo, mas há "n" deles, espalhados por esse Mundo, onde azar daqueles que nasceram em países terceiro-mundistas !

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    1. Só concordo em parte com o teu comentário, Ricardo.
      Durante séculos que se derramou sangue em nome de Deus. Quando nas escolas de Berlim, os alunos muçulmanos atacam os alunos jedeus, é em nome da religião, ou, mais precisamente, em nome do fanatismo religioso.

      JUDAS é um romance filosófico, que, apoiado na literatura teológica, lida com a questão da traição de Judas em troca de 30 moedas de prata.

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    2. Nós nunca nos podemos ou devemos esquecer dos anos e anos que a Civilização Ocidental oprimiu e matou pessoas de crenças diferentes porque achavam que a doutrina ocidental e católica é que estava correcta. As grandes cruzadas na reconquista da Terra Santa são disso prova. A luta contra aquilo que os ocidentais chamavam de infiéis.

      Os acontecimentos de agora só provam que as pessoas têm sempre a tendência para não esquecer e um dia mais tarde vão pôr em prática a violência e a vingança de tudo o que anteriormente lhes foi infligido.

      Eu NUNCA estarei de acordo com terrorismo, venha ele de onde vier !!!
      A guerra, é para mim, algo perfeitamente ESTÚPIDO E ANIMALESCO, somente digna dos irracionais que não têm inteligência suficiente para o entenderem.

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    3. Desde o princípio do mundo que houve guerra e violência como meio de resolver conflitos. A tua mente livre tem sede de paz, contudo, sabes muito bem, Ricardo, que é uma utopia. Guerra e violência são o prato do dia no Oriente Médio e não só. O ser humano é violento por natureza.

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  4. A mancha humana foi um romance de que gostei e me fez andar em frente com Philip Roth.

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    1. Ainda não li o livro, nem vi o filme, bea, mas até Setembro tenho ainda muito tempo.

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  5. r: Parece que virou mesmo uma ilusão :(

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