António Pedro foi uma das mais multifacetadas personalidades da Cultura Portuguesa no século XX e faria hoje 100 anos!

"Foi um engano - que tinha? Fosse o que fosse - que tem? Ergue os olhos e caminha Não queiras mal a ninguém, E no caminho, que tinha Se te enganasses? - ninguém Deve ter outro caminho Do que o caminho que tem.” Devagar (1929)

António Pedro fez uma revolução estética no Teatro Português

Em 1909 a cidade da Praia, em Cabo Verde, viu nascer um homem que teve um papel importantíssimo na construção do teatro português moderno nas suas várias dimensões – António Pedro da Costa. Foi um espírito multifacetado, o autêntico homem dos sete ofícios, admitido pelo próprio quando afirmou: "Tenho talentos em quase tudo". Esse quase tudo refere-se a teatro, pintura, cerâmica, jornalismo, poesia, ficção, crítica, comunicação na rádio e na televisão.
A sua formação universitária foi feita em Portugal, tendo frequentado as Faculdades de Direito e de Letras da Universidade de Lisboa. Mais tarde ingressou no Instituto de Arte e Arqueologia em Paris.
Revelou desde cedo a sua abertura a experiências de criação artística, tendo-se estreado aos 17 anos como poeta. A sua produção literária repartiu-se, no entanto, por diversos géneros. António Pedro fundou a revista Variante e foi colaborador de inúmeras revistas e jornais. Foi ainda crítico de arte e cronista da BBC em Londres, mas distinguiu-se sobretudo nos campos da pintura e do teatro.
António Pedro foi uma alma irrequieta em busca do Teatro – começou por ser director do Teatro Apolo (Lisboa) mas o seu envolvimento completo com a actividade teatral revelou-se no Teatro Experimental do Porto como director, além de dramaturgo e figurinista, tendo-se tornado, na acepção moderna do termo, o primeiro encenador português. Foi de facto com a sua inigualável contribuição para o teatro, apesar da sua descrença, devido à ingratidão e leviandade das superficiais modas culturais, que António Pedro se destacou.
António Pedro, para quem o tempo foi suficiente “porque a arte é uma forma de respiração e eu respiro 24 horas por dia, como toda a gente”, faleceu a 17 de Agosto de 1966, apenas com 57 anos de idade.
Algumas das suas importantes obras são: Literárias - "Os meus sete pecados capitais" (1926), "Distância" (1927), "Devagar" (1928), "Diário" (1929), "Máquina de Vidro" (1931), "A Cidade" (1932), "15 Poemas au Hasard" (1935), "Onze Poemas Líricos de Exaltação" (1938), "Casa de Campo" (1938), "Apenas Uma Narrativa" (1942), "Protopoema da Serra de Arga" (1948), "Pequeno Tratado de Encenação" (1962); Pintura - "Repasto Imundo" (1939), "Avejão Lírico", "Paz Inquieta" , "Calor", "Cantou um Galo", "Intervenção Romântica", "A Ilha do Cão" (1940), "Rapto na Paisagem Povoada" (1946), "Amanhecer das Virgens" (1948).

Kommentare

  1. Auch Du, lieber Gernot, bist am 9. Dezember geboren!

    Alles Gute zum Geburtstag
    Viel Glück und Heiterkeit,
    für das Schöne stets bereit,
    Gesundheit und viel Sonnenschein,
    so soll Dein ganzes Leben sein.

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  2. Onde quer que o seu espírito esteja, ainda paira por aí, um século depois... para que algumas pessoas se lembrem dele! (por acaso, Ary dos Santos e John Lennon têm andado mais na berra...)

    Beijocas!

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  3. devo ter ouvido falar dele em algum momento pq essa foto não é estranha. mas não lembro o motivo. vai ver q foi alguma peça com texto dele que encenaram por aqui. beijos, pedrita

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  4. Olá amiga Teresa

    O comentário da Teté fez-me lembrar a tese que defendi relativamente aos "esquecidos" no meu exame de admissão a Ciências da Comunicação. Fazer o quê? (como dizem os brasileiros). O seu blogue deveria ter mais visibilidade porque é didáctico. Mas já ouvi e vi na TV um membro do governo insurgir-se contra os blogues, na medida em que já os vão incomodando...
    Beijinhos
    António

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  5. Tu, Teté, és uma mulher do Sul e do cinema. Eu, uma mulher do Norte e do teatro.
    Tu sabes quem é o Ary dos Santos (até há pouco tempo eu pensava, que ele era um poeta brasileiro). Quanto ao John Lennon nunca fui admiradora desse género de música.
    António Pedro - Le Grand Seigneur do Teatro Português e o primeiro director artístico do Teatro Experimental do Porto - nunca foi esquecido pelos nortenhos e pelos amigos do teatro.
    Enquanto ao "teu" Ary dos Santos foi dado o seu nome a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
    Uma sala do Teatro Experimental do Porto (onde não prescindo de ir, quando estou no Porto) tem o nome do "meu" António Pedro.

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  6. Amiga Teresa
    Ainda relativamente a António Pedro o que eu queria dizer era que não vi nenhuma referência a esse grande português na nossa comunicação social. Na tese em que lhe falei referi como exemplo Corino Andrade, a quem foi prestada uma homenagem e só o matutino Correio da Manhã publicou uma nota, muito timidamente, a uma dimensão ridícula de 30 cm2. Corino Andrade faleceu em Junho de 2005 com 99 anos de idade e ficou conhecido como o "pai" da paramiloidose (doença dos pezinhos). Prestigiado internacionalmente, foi também um dos impulsionadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, na cidade do Porto.
    Em relação a Ary dos Santos, com o devido respeito pela sua figura enquanto poeta do povo, junto-o a Sérgio Godinho, José Mário Branco, José Jorge Letria e outros, que estão constantemente a serem homenageados mas são portugueses que embora digam haver renegado a guerra colonial, não renegaram nada, FUGIRAM, vivendo muito bem instalados na estranja. Esses sim, são considerados heróis nacionais.
    Beijinho para si e EMA.
    António

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