Philip Roth, ícone da literatura, morre aos 85 anos


Natural de Newark, Nova Jérsia, Philip Roth, mencionado entre os favoritos ao Nobel da Literatura, é considerado um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX. 
Feministas, judeus e uma das ex-mulheres atacaram-no em público, por vezes pessoalmente. As mulheres, nos seus romances, eram amiúde pouco mais do que objetos de desejo e raiva, tendo mesmo sido acusado de misoginia. 
Em “O Teatro de Sabbath”, Philip Roth imaginou a inscrição na sua lápide: 
“Sodomista, Abusador de Mulheres, Destruidor de Caracteres”.

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Em Abril de 2014, li Engano na tradução portuguesa de Francisco Agarez.
Ação do livro é feita de diálogos — conversas entre os amantes antes e depois de fazerem amor: 200 páginas acutilantes, espirituosas e perturbadoras. 
Neste momento, preparo-me para me sentar no meu terraço com a novela Everyman na tradução alemã de Werner Schmitz. Philip Roth tirou o título de uma peça inglesa do século XV. Trata-se de uma alegoria cristã sobre a morte.

Kommentare

  1. Aí como aqui e um pouco por todo o lado se vão perdendo valores incontornáveis, Teresa.
    Que descanse em paz, Philip Roth.

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    1. Philip Roth morreu de insuficiência cardíaca esta terça-feira, aos 85 anos. O seu desaparecimento encerra assim uma carreira na literatura norte-americana, mas a sua obra literária continua à nossa disposição.

      Um descanso em paz no céu judaico, é difícil.

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  2. Acho-o muito duro. A sua visão do mundo desencanta situações passíveis de serem como descreve - e descreve muito bem o ser humano. Gostei de A mancha humana e A pastoral americana. O complexo de Portnoy não me seduziu da mesma forma. Tenho de o reler para compreender porquê. Mas não agora.

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    1. A trilogia política, que incluiu “Pastoral Americana”, “Casei com um Comunista” e “A Marca Humana” continua a manter relevância junto do grande público.
      “O Complexo de Portnoy” foi condenado por sumidades judaicas nos EUA, devido às cruas descrições sexuais e à maneira de abordar a vivência judaica em Newark, cidade do estado de Nova Jérsia.

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  3. Gostei muito de ler esta OPINIÃO do crítico literário Pedro Mexia.

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    1. Pedro Mexia aponta os seis romances incontornáveis de Philip Roth. E explica porquê.

      Embora os porquês NÃO nos expliquem nada de novo, gostei muito de ler a OPINIÃO do crítico literário Pedro Mexia — o intelectual do programa Governo Sombra.

      Beijo da Te.

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  4. Gostei muito dos livros que li dele, muitas vezes andava com o livro "meio aberto" quando sentada no banco do comboio as páginas cruas ficavam à mercê de quem se colocava ao meu lado :)))
    Estou super curiosa para ler o Engano, vou procurá-lo amanhã!
    Bjs Teresa.

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    1. Se o polémico romancista soubesse que tu, papoila, andavas com o seu livro "meio aberto" quando sentada no banco do comboio e as páginas cruas ficavam à mercê de quem se colocava ao teu lado, tinha sorrido e adorado.

      Engano, o único dos seus romances que li na traducão portuguesa, é elegante e inteligente. Entre as cenas habituais de sexo, adorei as referências literárias.

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  5. "Um descanso em paz no céu judaico, é difícil."
    Que imensa verdade

    (Ao lê-lo, sempre senti
    que falava de tudo, menos de mim)

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    1. O autor de origem judaica polaco-ucraniana, fez um retrato da América e um autorretrato pulsional e sórdido, sem ânsias de ser amado. Ele abordou, além do sexo, o desejo, a velhice e a morte, temas que dizem respeito a todo ser humano.

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  6. Confesso que não conheço a sua obra. Mas tê-la à nossa disposição será sempre uma forma de perpetuar a sua memória e o seu caminho

    r: Lamento ler isso :(
    Nem consigo imaginar o sufoco de um momento assim.
    Muito, muito obrigada!

    Beijinhos*

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    1. Eterno favorito ao Prémio Nobel da Literatura, contemporâneo de Don DeLillo, Saul Bellow e Norman Mailer, foi crítico e observador virtuoso da sociedade norte-americana.

      A morte do companheiro, desestabiliza, dói, perturba, dilacera.

      Beijo de Düsseldorf.

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  7. Esta semana tem sido uma razia!! :(

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    1. A idade não perdoa, Pedro.

      Em 2012, aos 78 anos, Philip Roth anunciou a decisão de deixar de escrever.

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  8. r: O "Emma" nunca li, mas tenho que tratar disso :)

    Muito obrigada!

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    1. É um alegre e amoroso romance, mas não é o melhor de Jane Austen. Emma é uma heroína difícil de gostar, segundo a própria autora. Com a mania de que sabe o que é melhor para todos, mete-se na vida dos outros e causa danos no coraçãozinho de Harriet Smith.
      A minha preferência por este romance, é que Ema era o nome da minha mãe, que adorava a obra de Jane Austen, principalmente As Fantasias de Ema.

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  9. Não sabia. Não tenho prestado atenção às notícias na tv nem nenhuma notícia me apareceu na net.
    Que me lembre apenas li “The Ghost Writer” e “The Human Stain”

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    1. Duas obras a ler do escritor americano.
      Embora "The Human Stain" seja muitíssimo louvado pela crítica, é o jogo da autobiografia em "The Ghost Writer", que desperta mais a minha curiosidade.

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