Das liberdades relativas


“Se escrevo, incomodo. 
Se rodo um filme, incomodo. 
Se pinto, incomodo.
Se mostro a minha pintura, incomodo
e incomodo se não a mostro. 
Tenho a faculdade de incomodar. Resigno-me
a ser assim, mas gostaria de convencer.
Hei-de incomodar depois da minha morte. 
A minha obra vai ter de aguardar a outra morte lenta 
desta faculdade de incomodar. 
Talvez ela saia vitoriosa,
uma vez livre de mim, desenvolta,
jovem, aos gritos. Ufa!

Jean Cocteau 

Excerto de “Des libertés relatives”. In Journal d’un inconnu.
Paris: Grasset, D. L, 2003. p. 115-116.
Trad. Regina Guimarães.

Kommentare

  1. Se vamos pensar em que se incomodo estamos bem tramados...
    Bfds

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    1. Jean Cocteau era muito egoísta, centrado demais em si mesmo, para se incomodar com os outros.
      Bom fim de semana, Pedro 😘

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  2. Incomodar poderá ser um bem, para alguns ! :) ...
    Então não há quem diga que , dizerem mal ou bem de mim, não importa . O que importa é falarem de mim . Logo incomodarem-se comigo , sinal de que existo e dou que falar ! :)
    Quando o ego é mais importante que tudo o resto poderá pensar-se assim ! :)

    Beijocas à Te ! :)

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    1. O francês foi um artista multitalentoso e multifacetado que alcançou êxito em todas as áreas em que actuou, portanto, nunca se importou com a opinião dos outros.

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  3. «Tenho a faculdade de incomodar. Resigno-me
    a ser assim, mas gostaria de convencer. »

    Acho que sou
    exatamente como o Cocteau

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  4. Uma maravilha estes incómodos. É bom e alivia - e oxalá não acabe - haver gente que assim incomoda.

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