E Fátima continua de pé ...


Os crentes acreditam ter lá aparecido Maria de Nazaré, que morreu idosa e dois milénios depois aparentava quinze anos. Outros julgam ter sido um plano para transformar um meio pobre num aglomerado desenvolvido, como em Lourdes. A própria Igreja não obriga os católicos ao reconhecimento divino das aparições. E houve um João Ilharco que escreveu um livro defendendo que Fátima foi obra dos padres. 
No fundo, tudo continua como em 1917. Há quem acredite, quem pretenda não acreditar, quem conteste. 
E continuará a ser assim enquanto não soubermos explicar o inacessível, o que nos ultrapassa.

Fina d'Armada, em FÁTIMA O que se passou em 1917

★★★

Os meus pais nunca apoiaram os três pilares da ditadura de António de Oliveira Salazar: FADO, FÁTIMA, FUTEBOL, daí só ter a oportunidade de conhecer Fátima numa excursão escolar, na terceira classe da escola primária, tinha eu nove anos.
Perdi a fé aos quinze anos, no entanto, sei que a fé é capaz de remover montanhas e de ajudar a suportar as agruras da existência. Se voltar a Fátima. em vez do bulício, quero encontrar silêncio, meditação, uma certa calma interior sem crenças confusas.

Kommentare

  1. Sinto o mesmo que tu.
    Também lá estive aos nove anos e com a escola, impressionei-me porque vi pessoas a arrastarem-se de joelhos...
    Tenho muita fé e escolho o silêncio e a meditação.
    Posso estar errada mas neste momento e já há muito tempo tenho uma certa antipatia por padres...
    bjs

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    1. Na minha memória ficou apenas os joelhos ensanguentados das crentes.

      Acredito que Fátima seja uma espécie de oásis para o nosso espírito, mais do que em qualquer outra terra portuguesa, não só para os crentes.

      Lúcia dos Santos e os seus primos Francisco e Jacinta foram canonizados pelo Papa Francisco. Resta saber se a cura do rapaz brasileiro não aconteceu por acaso.

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  2. Fui a Fátima pela primeira vez já tinha uns doze ou treze anos, numa excursão do colégio que acedeu a levar-me num favor especial; o meu pai deu-me vinte e cinco tostões que não gastei por nada existir em Fátima a tal preço. Minha mãe era pessoa de muita fé e removeu algumas montanhas, creio até que continua a removê-las.
    Fátima nunca me agradou. Prefiro a capelinha das aparições a qualquer outra coisa que ali exista, mas julgo que devo a preferência a ser pequena e mais humilde. E o silêncio que por lá passa é desalmado.
    Acredito mesmo que a Deus nada é impossível e, por isso, é possível que três crianças - as que estão mais perto do divino - tenham visto Nossa Senhora. O resto parece-me invenção da igreja como instituição humana, pesada e retrógrada, que se deseja perpetuar.

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    1. A minha mãe era crente, mas não muito. Curiosamente, o meu pai, apesar de ser um homem da ciência, era um crente profundo.

      Quem sabe! Se a veracidade dos factos não seja uma mistificação. E a cura do rapaz brasileiro, de nove anos, não tenha sido por acaso, mas simplesmente um milagre dos pastorinhos portugueses. A fé é um sentimento mal estudado. É possível que a minha pequenez perante o inexplicável, não me dê a oportunidade de entender a história das aparições.

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  3. Comigo passa-se uma coisa curiosa. Sou mais que ateu, sou agnóstico !
    Sou um homem de fé, no sentido optimista, de confiança, de esperança que tudo vai correr bem e não no sentido de fé cristã, de culto, de crença religiosa !
    Não "acredito" nos milagres como um facto religioso, mas sim psicológico, dependente do próprio. Há milagres sim, no sentido em que psicologicamente possa haver um "abanão" que resolva certos problemas, que interiormente crie condições necessárias para fisicamente se resolverem certos problemas !
    Por isso, também não não acredito nas aparições , nem nas doutrinas da Igreja.
    Admiro este Papa, sim, mas pelo sentido em que ele quer "dar a volta" a determinadas questões e pela sua sua humildade e simplicidade !

    No entanto , emocionam-me as multidões reunidas em fé (tal como em Fátima), como me emociona qualquer filme que expresse por ex. o amor de um pai para com um filho, ou vice versa, qualquer coisa que me comova , que mexa comigo !

    O choro, nestas alturas seria aliviador , mas não se dá o caso. Fico como que "entalado" e sem quase poder articular palavras . (??)

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    1. O ateu é consequente. Não acredita em Deus e, não acredita mesmo.
      O agnóstico é como o tolo no meio da ponte.
      Acreditar ou não não acreditar na existência de Deus, é aqui a questão.

      O que se passou em Fátima em 1917? Ano da revolução russa!
      A Igreja Católica fugiu sempre do Comunismo como o diabo 😈 da cruz.
      Apareceu, na verdade, a Nossa Senhora aos pastorinhos? Ou não seria uma mistificação para derrubar a República?

      Os comerciantes da altura e os comerciantes de agora devem estar radiantes com a exploração comercial.

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  4. Sou algo céptico em relação a Fátima.
    Sigo muito o que pensa Anselmo Borges.
    Os pastorinhos terão tido uma qualquer experiência mística que não souberam explicar de outro modo.
    Mas respeito quem é crente.
    Já não respeito nada o negócio à volta de Fátima.
    Boa semana

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    1. Também eu respeito quem é crente, Pedro, embora não acredite nas aparições em Fátima ou em Lourdes. E a exploração comercial é algo terrível.

      Tenho interesse de ler o que Anselmo Borges escreveu sobre o assunto, embora eu não acredite numa experiência mística. Na minha opinião, foi simplesmente um eclipse do sol, que a Igreja aproveitou sem dó nem piedade: as duas crianças, Jacinta e Francisco, morreram logo a seguir. A Lúcia foi para um convento para não dizer inconveniências. Uma história triste e muito mal contada.

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  5. Como a própria Igreja reconhece, as "Aparições" de Fátima são experiências do foro psíquico. Não acreditar nelas em nada altera a religiosidade e a Fé. Foi há muitos anos, cerca de 40, que ouvi pela primeira vez o Pe Anselmo Borges dizer o que hoje em dia é assumido pela Igreja. A minha Mãe, profundamente crente, nunca acreditou nas Aparições. Já fui a Fátima, mas em momentos de muita calma e sinto, como noutros locais místicos como Monserrat, por exemplo, um magnetismo estranho. Uma questão de energias positivas em que acredito firmemente e nos podem ajudar a resolver problemas.

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    1. Gostava de voltar a Fátima, nos momentos de muita calma e sentir esse magnetismo estranho. Tenho pena de ser tão descrente, Carlos.
      Talvez energias positivas me ajudassem a desatar o nó do luto.

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