Dienstag, 6. September 2016

Pequena Elegia de Setembro


 Não sei como vieste, 
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.

Estás sentada no jardim,
 as mãos no regaço cheias de doçura, 
Os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.

 Que música escutas tão atentamente 
 que não dás por mim? 
 Que bosque, ou rio, ou mar? 
 Ou é dentro de ti  
que tudo canta ainda?

 Queria falar contigo, 
 Dizer-te apenas que estou aqui, 
 mas tenho medo, 
 medo que toda a música cesse 
 e tu não possas mais olhar as rosas. 
 Medo de quebrar o fio 
 com que teces os dias sem memória. 

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas 
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
 parcimoniosamente, no meio de sombras? 

 Deixa-te estar assim, 
 ó cheia de doçura, 
 sentada, olhando as rosas, 
 e tão alheia 
 que nem dás por mim.

Kommentare:

  1. Que homenagem linda, Teresa!
    Eugénio sabia escolher as palavras com doçura, tal como se colhem flores num ato de amor.

    Beijinhos de Setembro
    (^^)

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    1. Que bela metáfora, AFRODITE, essa do Eugénio escolher as palavras com doçura, tal como se colhem flores num ato de amor.

      Beijinhos de um Setembro tão quente como um ato de amor...

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    2. Que o Outubro seja sorridente e pouco chuvoso ou frio...para termos um dia lindo à beira mar, em São Pedro de Moel... todos juntos! :)

      Contamos contigo!

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    3. Tenho vontade de ir até São Pedro de Moel para finalmente conhecer a malta.

      Tu és a autora do divino convite, não é verdade?

      Beijinhos 🎇

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    4. Do selo.
      A Graça deixou as pistas certas! :)

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    5. ... de uma Deusa do Amor, claro!

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  2. Quanto mais leio outros poetas mais valor dou a Eugénio de Andrade uma das pessoas que melhor dizem o homem.

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    1. Concordo em absoluto com o teu comentário, bea.

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  3. Sim
    às vezes nem dás por mim

    (Eugénio, acredites ou não
    é meu irmão)

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    1. Morreu no mesmo dia de que outro teu irmão.

      Acredites ou não, ambos meus irmãos.

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  4. Teresinhamiga

    Tens de desculpar por parecer um importante - que não. Porém, sabes que a vida de jornalista leva-nos vezes exactamente onde queremos ir... Isto para te dizer que conheci José Fontinhas por intermédio de Oscar Lopes (que com António José Saraiva, também meu Amigo escreveu a História da Literatura Portuguesa)

    Só então fiquei a saber que esse homem misógino, fechado sobre si próprio, pouco expansivo era o Eugénio de Andrade o seu psinónimo. Quando mais tarde conversava com o meu compadre Hermano José Saraiva este disse-me que Eugénio era comunista tal como seu irmão António, mas ambos tranquilos. O termo que o meu compadre utilizou era inofensivos...

    Eugénio de Andrade, um dos maiores Poetas portugueses não me foi muito simpático; direi mesmo aturou-me...

    Depois li uma boa parte dos seus livros - uma maravilha; convencera-me..

    Qjs do Leãozão, muito dorido...

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    1. Infelizmente, nunca encontrei o José Fontinhas/Eugénio de Andrade, embora ele fosse vizinho da minha amiga Beatriz.

      Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade», eu digo que era para esconder a sua homosexualidade.

      Conheci sim, o Oscar Lopes e o António José Saraiva (tenho a História da Literatura Portuguesa) no Teatro Experimental do Porto (TEP) — a mais antiga companhia de teatro de Portugal fundada em 1951.

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  5. Setembro e Outubro são os meus meses favoritos aqui em Macau.
    Menos calor, menos humidade.

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    1. Também adoro os meses de Setembro e Outubro, Pedro, e espero que tenhamos este ano um Outubro dourado.

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  6. Conhecendo já o poema, li-o, aqui, com um sentimento novo e diferente.
    Hoje, senti que me tocou mais fundo.

    Linda homenagem que prestas à tua avó, Teresa.

    Um grande abraço com amizade.

    Janita

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    1. Sempre que leio a Pequena Elegia de Setembro me lembro da minha avó materna, que nasceu no dia 6 de Setembro e, tinha um coração tão grande como o mundo.

      Mil beijinhos da amiga de sempre.

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  7. Lindo de mais!!

    Beijinhos de Setembro...

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    1. Eugénio de Andrade, sempre.

      Beijinhos de um Setembro quentíssimo.

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  8. Belíssimo poema de Eugénio de Andrade, Teresa ! ... E como ele se adapta na perfeição ao que, julgo eu, tinhas em mente ao escolhe-lo !

    Simplesmente, beijos ! :)

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    1. Eu não tinha nada em mente, Rui, foi apenas uma brincadeira. Afinal o feitiço virou contra o feiticeiro.

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  9. Teresa, referindo esta foto fizeste-me um desafio pessoal para eu te dizer onde era. Eu fi-lo para o teu mail e certamente ainda não viste !
    Diz-me só se acertei ou não, porque se não te importares eu poderia fazer um desafio meu sobre o assunto, tal como o que lá está presentemente sobre desafios que me fazem a mim ! :)))

    Beijos ! :)

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    1. Já te respondi por @-mail, Rui, continuando de boca aberta...

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    2. eheheh... Não posso dizer que não gostei do elogio ! rsrs

      ... mas sabes ? ... Isto "são muitos anos a virar frangos" ! eheheh

      Então, se permites, quando sair o Desafio, eu aviso-te ! :))

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    3. Que elogio???

      É pura e simplesmente a verdade.

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    4. Pronto. Então está combinado. O próximo desafio, depois da re-edição do actual, será sobre esta foto. Provavelmente Domingo à noite (?)... mas não vais poder "concorrer" ! rsrs
      Obrigado, Teresa ! ... Um Beijo ! :)

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    5. Afinal, fiz mal as contas. Vai entrar agora às 22:00
      Ficará até 2^ª.

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    6. Vim de lá agora... Do desafio. Este é muito difícil. Olha que dois... :)

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  10. Eu já disse que acho este poema muito bonito e terno? Já? Bolas. Vou repetir: é bonitíssimo. Lindo. De uma intocável leveza. Assim mesmo ó Eugénio.

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    1. Nunca é demais repetir que a Pequena Elegia de Setembro é belíssima.

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  11. Desafios à parte, acho foto e poema lindíssimos. :)

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
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