Nunca mates o mandarim


Novela publicada em 1880, O Mandarim ocupa um lugar à parte na obra de Eça de Queirós. 
Misto de farsa moralizante e sátira filosófica, o texto parece afastar-se de uma estética realista para fantasiar – até às últimas consequências – o paradoxo de Rousseau: na longínqua China, um endinheirado mandarim deixou testamento a favor de quem o matasse, o que pode realizar-se de um modo assaz singelo – premindo o pequeno botão de uma campainha em Paris. Como nunca o veremos, o mandarim não pode afetar-nos emocionalmente. Estaríamos dispostos a premir este botão e assim beneficiar de uma tão imensa fortuna? Seríamos – ou seremos – capazes de matar o mandarim? Depois de em 2013 nos ter proposto Os Negócios do Senhor Júlio César de Brecht, o Teatro Experimental do Porto encontra agora na narrativa fáustica de Eça de Queirós uma alegoria que lhe permite prosseguir a sua investigação teatral sobre os desastres europeus dos séculos XX e XXI, da Alemanha nazi à autofágica sociedade de consumo. 
Com adaptação de Rui Pina Coelho e encenação de Gonçalo Amorim, Nunca Mates o Mandarim endereça à sociedade contemporânea um comentário direto sob a forma de uma moralidade profana, plasticamente vibrante e musical. 
A nova criação do Teatro Experimental do Porto (TEP) que estreia esta quinta-feira no Teatro São João, no âmbito da 39º edição do FITEI, fica em cena até ao dia 
19 de Junho de 2016. 

Kommentare

  1. Desde que me contaram a história ou que a li, sempre me pareceu que não seria boa ideia matar o mandarim...

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    1. Só sabe bem o pão que dia-a-dia ganham as nossas mãos???

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  2. Tenho três coisas para te confessar:

    Primeira, quando que li essa coisa do mandarim, peguei em mim e viajei até Paris. Toquei a milhões, paletes, pilhas de campainhas e regressei mais pobre do que tinha ido, sem que nenhum mandarim tivesse morrido...

    Segunda, acho que andam todos raspando na raspadinha apenas por não saberem onde pára a essa maldita campainha...

    Terceira, fosse o Porto mais perto e não perderia...

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    1. O teu comentário, camarada Rogério, é um breve e actual resumo de "O Mandarim". Adorei como sempre.

      Também não quero matar o mandarim. Ao tocar a campanhia quero viajar até ao Porto para assistir à peça "Nunca mates o mandarim", num dos mais bonitos teatros da Europa.

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  3. Teresinhamiga

    Quando era mais ou menos puto, eu e mais uns quantos fundámos um grupo teatral, corria o ano de 1958 e tinha então 17 aninhos. Mete-me na cabeça dar uma de encenador. A "peça" era a "adaptação" do Mandarim.

    Creio que o Eça, ora essa, nunca terá sido tão maltratado; mas mesmo assim tive uma grande oportunidade: pela primeira vez li o Mandarim, sem botão nem campainha ali à mão de semear...

    Confesso: foi aí que em seguida li o Eça todo; até então só tinha lido A Cidade e as Serras. Bendita a hora em, desenvergonhado, "encenei" (???) o Mandarim e maldita a mesma hora por não ter lido o Eça antes...

    Qjs do Leãozão

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    1. Quando tinha 17 aninhos frequentava o Teatro Experimental do Porto (TEP). Nessa altura escrevia peças de teatro, que dava para ler, dizendo que eram dum amigo meu. Penso que ninguém acredidava na minha mentira.

      Eça foi sempre o meu deus da literatura portuguesa.

      Bom fim de semana, Leãozão, com ou sem futebol.

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    1. Tenciono ir ao Porto no Outono, Pedro.

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