Donnerstag, 9. Juni 2016

Nunca mates o mandarim


Novela publicada em 1880, O Mandarim ocupa um lugar à parte na obra de Eça de Queirós. 
Misto de farsa moralizante e sátira filosófica, o texto parece afastar-se de uma estética realista para fantasiar – até às últimas consequências – o paradoxo de Rousseau: na longínqua China, um endinheirado mandarim deixou testamento a favor de quem o matasse, o que pode realizar-se de um modo assaz singelo – premindo o pequeno botão de uma campainha em Paris. Como nunca o veremos, o mandarim não pode afetar-nos emocionalmente. Estaríamos dispostos a premir este botão e assim beneficiar de uma tão imensa fortuna? Seríamos – ou seremos – capazes de matar o mandarim? Depois de em 2013 nos ter proposto Os Negócios do Senhor Júlio César de Brecht, o Teatro Experimental do Porto encontra agora na narrativa fáustica de Eça de Queirós uma alegoria que lhe permite prosseguir a sua investigação teatral sobre os desastres europeus dos séculos XX e XXI, da Alemanha nazi à autofágica sociedade de consumo. 
Com adaptação de Rui Pina Coelho e encenação de Gonçalo Amorim, Nunca Mates o Mandarim endereça à sociedade contemporânea um comentário direto sob a forma de uma moralidade profana, plasticamente vibrante e musical. 
A nova criação do Teatro Experimental do Porto (TEP) que estreia esta quinta-feira no Teatro São João, no âmbito da 39º edição do FITEI, fica em cena até ao dia 
19 de Junho de 2016. 

Kommentare:

  1. Desde que me contaram a história ou que a li, sempre me pareceu que não seria boa ideia matar o mandarim...

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    1. Só sabe bem o pão que dia-a-dia ganham as nossas mãos???

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  2. Tenho três coisas para te confessar:

    Primeira, quando que li essa coisa do mandarim, peguei em mim e viajei até Paris. Toquei a milhões, paletes, pilhas de campainhas e regressei mais pobre do que tinha ido, sem que nenhum mandarim tivesse morrido...

    Segunda, acho que andam todos raspando na raspadinha apenas por não saberem onde pára a essa maldita campainha...

    Terceira, fosse o Porto mais perto e não perderia...

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    1. O teu comentário, camarada Rogério, é um breve e actual resumo de "O Mandarim". Adorei como sempre.

      Também não quero matar o mandarim. Ao tocar a campanhia quero viajar até ao Porto para assistir à peça "Nunca mates o mandarim", num dos mais bonitos teatros da Europa.

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  3. Teresinhamiga

    Quando era mais ou menos puto, eu e mais uns quantos fundámos um grupo teatral, corria o ano de 1958 e tinha então 17 aninhos. Mete-me na cabeça dar uma de encenador. A "peça" era a "adaptação" do Mandarim.

    Creio que o Eça, ora essa, nunca terá sido tão maltratado; mas mesmo assim tive uma grande oportunidade: pela primeira vez li o Mandarim, sem botão nem campainha ali à mão de semear...

    Confesso: foi aí que em seguida li o Eça todo; até então só tinha lido A Cidade e as Serras. Bendita a hora em, desenvergonhado, "encenei" (???) o Mandarim e maldita a mesma hora por não ter lido o Eça antes...

    Qjs do Leãozão

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    1. Quando tinha 17 aninhos frequentava o Teatro Experimental do Porto (TEP). Nessa altura escrevia peças de teatro, que dava para ler, dizendo que eram dum amigo meu. Penso que ninguém acredidava na minha mentira.

      Eça foi sempre o meu deus da literatura portuguesa.

      Bom fim de semana, Leãozão, com ou sem futebol.

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  4. Antworten
    1. Tenciono ir ao Porto no Outono, Pedro.

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

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CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

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Demasiada pequena para pensar em Deus
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Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
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Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
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