O MUSEU É UM JARDIM?


O museu, tal como o jardim, é um espaço de deambulação e contemplação. Com a sua flora e o seu artifício, o museu é um lugar de cultivo e prazer, mas é também uma ideia, uma metáfora, a interseção entre natureza, cultura e ciência. Quando caminhamos num museu, desdobra-se à nossa frente uma narrativa, cujos muitos caminhos e trajetos associam o conhecimento aos sentidos. Selvagem ou maneirista, ordenado ou pitoresco, o jardim, tal como o museu, é experiencial e afetivo, um espaço onde somos convidados a vaguear por uma paisagem em perpétuo movimento com formas, objetos e cores dispostos no espaço. Do mesmo modo que o jardim representa o ordenamento racional do mundo natural, a exposição é um jardim de imagens, ideias e emoções. Ambos cruzam intimamente o ato de caminhar com a imaginação.
"Pode o museu ser um jardim?” exorta essas relações concetuais e históricas entre o jardim e o museu. Embora algumas obras de arte selecionadas da Coleção do Museu de Serralves abordem diretamente ideias de paisagem e natureza – desde o uso de materiais naturais até ao movimento das plantas –, outras tratam o jardim como uma metáfora expandida para ver o mundo. Além dessas obras da coleção, peças adicionais de Hans Haacke e Louise Lawler estão a ser "plantadas” dentro do museu para a exposição, como espécies novas crescendo paralelamente ao jardim bem cuidado que a coleção de um museu representa. Enquanto exposição, "Pode o Museu ser um Jardim?” irá alterar-se com as estações do ano, tal como um jardim, ao longo do tempo.
Ao relacionar o espaço exterior do jardim com o espaço interior do museu, a exposição também evoca o cenário singular do parque, desenhado por Jacques Gréber, e a arquitetura do Museu de Serralves, da autoria de Álvaro Siza. "Pode o museu ser um jardim?” celebra o museu enquanto lugar para vaguear e pensar, traçando novos percursos nos seus espaços, e o ato de caminhar enquanto prática estética e contemplativa. 
Como devemos caminhar através de um museu? Devemos explorá-lo? Correr, perdermo-nos? Ou ser guiados no nosso percurso pelos nossos sentidos e pela nossa curiosidade? 

Vasco Araújo, Richard Artschwager, Herbert Brandl, Stanley Brouwn, Fernando Calhau, Alberto Carneiro, Lourdes Castro, Rui Chafes, Luisa Cunha, Charles Darwin, Jan Dibbets, Fischli & Weiss, Simone Forti, Hamish Fulton, Mario Garcia Torres, Hans Haacke, Jasper Johns, Ana Jotta, Raoul De Keyser, Anselm Kiefer, Fernando Lanhas, Álvaro Lapa, Louise Lawler, Miguel Leal, Ree Morton, Juan Muñoz, Lucia Nogueira, Luís Noronha da Costa, Lygia Pape, Sigmar Polke, João Queiroz, Dieter Roth, Robert Smithson, Ângelo de Sousa, Paul Thek, Richard Tuttle.

Kommentare

  1. Respondendo à sua pergunta: Não! O Jardim é que já é uma peça de museu.

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. Realmente o jardim é já quase uma peça de museu.

      Visite esta exposição, Carlos, vale a pena.

      Löschen
  2. Pudesse eu ignorar urgências e teria todo o prazer em usufruir dos prazeres do mundo... a começar por Serralves

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. A caminho de casa, depois de visitar a exposição em Serralves, visitei uma secção do Partido Comunista Português na Avenida da Boavista.

      Afinal a Marcha Nacional A FORÇA DO POVO no dia 6 de Junho, só se realiza em Lisboa e não no Porto.

      Löschen
  3. A última vez que lá fui, fui para ver uma exposição da Paula Rego, com ela presente ! ... Adorei a exposição e fiquei "intrigado" com a Paula Rego, principalmente pelo seu aspecto "desgrenhado" e pela sua maneira de falar ! ... Estranha ! ...
    Aos jardins tenho ido com mais frequência !
    :)

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. Quando se inaugurou a exposição de Paula Rego no Museu de Serralves encontrava-me no Porto. Já lá vão mais de dez anos. Não a vi por lá.

      Depois da exposição mais visitada de sempre, visitei outras exposições menos visitadas, mas não menos interessantes.

      "Pode um Museu ser um Jardim? é uma exposição diferente e deveras interessante, Vale a pena ir até Serralves.

      Hoje vou à inauguração de uma exposição de Desenho e Pintura de Miguel Andrade "(quase) troncos", mas desta vez não se realiza no Museu de Serralves.

      Löschen
  4. Gostava muito de visitar os jardins,que o museu já visitei e... tá visto! :)))

    Beijocas

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. Como aprecio a Arte Contemporânea, sempre que venho ao Porto, não perco nenhuma exposição no Museu de Serralves. Percursos no Parque e as exposições na Casa de Serralves também fazem parte das minhas visitas.

      Beijocas tripeiras!

      Löschen

Kommentar veröffentlichen