Mittwoch, 24. Dezember 2014

Um Amor Feliz

Brrr!
O Inverno, na verdade, chegara cedo naquele ano e mostrava-se com pressa de enregelar as coisas, os animais e as pessoas. Dezembro mal despontava e a neve tomara já posse da cidade. Estendera os seus tapetes de feltro sobre os telhados inclinados das casas e sobre a superfície plana das ruas, cobrira de mantas, ao acaso, as àrvores nuas.
Teresa com o seu dufflecoat colado ao corpo, as faces ou o que delas se via, crivadas de flocos de neve, seguia pela avenida de Berlim, em direcção a casa. 
— Brr...! 
Perto de casa, Teresa tropeçou numa enorme pedra escondida sob a neve, e quase ía a soltar uma praga, quando nesse instante, ouviu a voz da sua senhoria. 
— O carteiro deixou uma carta para a menina. Sabe, disse ela com um sorriso malicioso, a carta não vem de Portugal, mas sim da Inglaterra. 
Ao princípio Teresa mostrou-se surpreendida com a carta, mas logo, impelida por uma súbita ideia: 
— Oh! É de um amigo português que está a estudar em Londres. 
Com efeito, a carta era do Alberto, que anunciava que vinha passar o Natal com ela em Düsseldorf.
Teresa não dormiu em toda a noite. Viu-se no Porto, naquele restaurante barato perto da Escola de Belas Artes. Foi aí, que ela conheceu o Alberto. 
Na véspera da Noite de Consoada, a neve invadiu a cidade; blocos de gelo tornaram as ruas perigosas. Eram cinco horas da tarde, quando a Teresa chegou à estação, o comboio devia chegar dentro de momentos, porém devido à vaga de frio o tráfico rodoviário era caótico, e os comboios eram afectados por fortes atrasos. 
Chateada, sentou-me num banco da gare e passou pelo sono. Sobressaltada, saltou do banco, quando ouviu anunciar a entrada do comboio de que estava à espera. 
A figura do Alberto desenhou-se no enquadramento da porta da carruagem e, depois de trocadas as saudaçoes habituais, tomaram um táxi a caminho de casa. Já no táxi, Alberto voltou-se para a companheira com um sorriso e deu-lhe a conhecer o plano dessa noite. 
— Em Londres conheci uma jovem pintora alemã, a Heike, que tem um atelier aqui na cidade. Ela convidou-nos para a visitarmos esta noite. Estás de acordo? 
— Pergunta desnecessária, Alberto. Claro que estou de acordo! 
O atelier ficava na cidade velha. Não era lá muito grande e apenas iluminado com a luz de velas pretas. Heike de estatura mediana, cabelos e olhos castanhos claros devia ter uns 28 anos. 
Um amigo dela, o Christian, já se encontrava no atelier quando os dois portugueses lá chegaram. Depois de beberem alguns aperitivos, foram jantar a um restaurante checo. 
Ao sairem do restaurante, a Teresa e o Christian íam numa conversa tão animada, que nem repararam que a Heike o o Alberto tinham ficado para trás. 
Só muito mais tarde é que deram conta, que os amigos tinham desaparecido. Procuraram nos bares que a Heike costumava frequentar, mas sem sucesso. 
Na manhã seguinte, apareceu o Alberto e contou o que lhe tinha acontecido na noite anterior. Ao sair do restaurante escorregou na neve e partiu a cabeça. A Heike levou-o ao hospital mais próximo, onde ficou para observações. 
Estavam ambos pálidos e olheirentos. Teresa acordara com dores de garganta, dores no corpo e arrepios de frio, síntomes de uma gripe. 
— Não temos fome, mas uma canja quentinha reconforta-nos, disse ela dirigindo-se à cozinha. 
Ao cair da tarde, apareceu o Manfred, um amigo alemão da Teresa, que a vinha buscar para passar a Noite de Consoada com a família dele. 
Que podia a Teresa responder? Não! Não! Não! 
Sentia o coração pesado. Subitamente, egoísta como era, aceitou o convite. Pobre Alberto! 
Do que então se passou, não lhe ficou mais do que uma confusa recordação. Lembrava-se com uma precisão nítida das palavras que a mãe do Manfred disse ao vê-la: 
— A rapariga está a arder. Vou preparar o teu quarto para ela; 
tu ficas no quarto de hóspedes. Entretanto, chama o médico de urgência. 
Teresa melhorou da pneumonia e regressou à sua mansarda nos príncípios de Janeiro. Grata pelos cuidados extremos que a mãe do Manfred tinha tido com ela, mandou-lhe um lindíssimo ramo de rosas brancas através da Fleurop, gesto que a deixou arruinada para o resto do mês. 
Um ano mais tarde, Teresa já não era a estranha, o fruto exótico, que toda a família comprimida à porta da entrada olhava com curiosidade, quando chegou lá a casa naquela Noite de Consoada — Teresa era agora um membro dessa família.  

Este conto de Natal foi escrito em 2010 para ser publicado aqui e participar no Concurso de Contos de Natal que a LICAS do ONTEM E HOJE organizou.

Kommentare:

  1. Lembro-me bem de o ler e gostei de recordar, Teresa.
    Feliz Natal

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  2. Se descobrir o contacto da Fleurop,
    quem lhe manda um ramo de rosas sou eu!

    :))

    (Sabes' Ainda fazes parte da minha árvore )

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  3. Eu lembrava-me dele e gostei ainda mais agora de o ler :)
    um beijinho
    Gábi

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  4. Jocamiga

    Lindíssimo. Obrigado por teres voltado a publica-lo, porque não o tinha lido...

    O Natal por cá está complicado. Aliás há quem diga que em Portugal este ano não há Natal:
    O José está preso;
    o Espírito Santo faliu e
    o Jesus perdeu a taça de Portugal..... :-) :-) :-)

    Mesmo assim Frohe Weihnachten und einen guten Rutsch ins 2015

    E uma informação:

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    E já agora a Informação também é dirigida ao Rogério Pereira

    kleine Käse

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  5. Linda história real que não conhecia!
    Boas Festas, malgré tout!

    Abraço

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  6. Um conto que gostei muito de ler. Não o conhecia.
    Abraço

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  7. E eu lembro-me dele, como sendo uma história autobiográfica... :)

    FELIZ NATAL e tudo de bom para ti, Ematejoca!

    Beijocas

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  8. ~ ~ ~ Dias ternos e plácidos. ~ ~ ~

    ~ ~ Beijinhos. ~ ~

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  9. Que bonito!
    Amores felizes quem os não quer recordar????
    Lindo.
    xx

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  10. Muito bonito. E muito bem escrito. Parabéns!
    Beijinhos e Bom Natal.

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  11. Um belíssimo conto de Natal.
    Continuação de Boas Festas

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  12. O conto é bonito. Aposto que a Teresa passou a ser uma Mulher Feliz !

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  13. Um belo conto de natal que ainda não tinha lido!
    Se é real fica mais interessante! :)
    Feliz 2015!!
    Beijus,

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  14. Memórias tao bem escritas que deram um conto lindo e envolvente.

    A vida à flor da pele!

    Gostei muito, Teresa...Parabéns e Felizes Festas.

    Um beijinho!

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

Certificado de Participação
"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Do ARTISTA MALDITO

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