Montag, 1. Juli 2013

Eça, agora!

NA ROTA DOS BLOGUES AMIGOS li uma notícia que me irritou e surpreendeu:

125 anos depois da primeira edição de "Os Maias", o Expresso lança uma coleção especial onde se inclui a continuação do celebrado romance de Eça de Queirós por alguns escritores do nosso tempo.

Já em 2007 os escritores Alice Vieira, João Aguiar, José Fanha, José Jorge Letria, Luísa Beltrão, Mário Zambujal e Rosa Lobato de Faria escreveram um livro editado pela Oficina do Livro, cujo título era precisamente "Eça Agora — os Herdeiros dos Maias".

 
 
Há uns dias, ao fazer a ronda semanal pelas crónicas da Visão, cruzei-me com um texto de José Luís Peixoto. Por muito grosseira que considere a sua escrita, é uma actividade prazerosa deleitar-me com as suas iluminadas palavras - de quando em vez, para não enjoar. Na última que li, José Luís Peixoto fazia uma ode a' Os Maias, um livro que, nas suas palavras, mudou a sua vida para sempre.
Leio há pouco, com horror, que José Luís Peixoto é apenas um dos escritores que darão continuidade a'Os Maias, numa iniciativa do Expresso.
A ideia não é original; recordo-me de ter de fazer o mesmo exercício, relativamente ao livro Se perguntarem por mim, digam que voei, da Alice Vieira, num concurso literário em que participei no 7º ano. Esse livro, tal como Os Maias, tem um final aberto o suficiente para essa ideia ocorrer quase instintivamente ao leitor. Receio, porém, o alastramento desta adulteração de obras intocáveis. Há uns tempos, também pela mão de JLP, os Lusíadas foram reescritos. Sim: José Luís Peixoto pegou numa das maiores obras líricas da humanidade, e reescreveu-a.
Entendo que a ideia de pegar nos Magnum Opus dos dois maiores artistas da palavra em língua portuguesa e vê-los reescritos pelo pior é ludicamente muito interessante. Pelo humor, pelo entretenimento, pela jocosidade, é uma boa experiência. Mas se é para se levar a sério, é um sacrilégio de proporções bíblicas. E José Luís Peixoto, mesmo considerando ele a sua escrita, por certo, de qualidade inabalável, deveria reconhecer que prosseguir um livro terminado há mais de um século por um colega escritor que pretendia que este terminasse daquela forma para a eternidade é profanação de herança artística. O mesmo se aplica, naturalmente, aos restantes redactores dos próximos capítulos d'Os Maias.
Nem é caso para dizer que Eça rebola no seu túmulo ao saber desta notícia. O mais provável é que este se levante e venha resolver o assunto pelas próprias mãos. Se a indignação que sinto me levantaria a mim do mundo dos mortos, nem quero imaginar o que pode fazer ao cadáver putrificado de Eça. Por via das dúvidas, dormirei de porta trancada, para que o seu regresso por vingança não passe por minha casa, onde Os Maias permanecerão inalterados.
 
Diogo Hoffbauer Malheiro Dias

Kommentare:

  1. Só no fim reparei que o post era do Diogo, tinha estranhado teres feito a continuação do livro de Alice Vieira no 7º ano do liceu, já que fui à apresentação do livro (até foi aí que conheci Alice Vieira ao vivo e a cores) com trinta e muitos anos.

    E também fui à do "Eça Agora - Os Herdeiros de Os Maias" e li-o em dezembro de 2007. Mas facto é que o livro não pretende ser uma continuação do livro do Eça, é apenas uma crítica incisiva, mordaz e hilariante aos tempos que correm, baseando-se nos conhecidos personagens e queirosianos, tal como seriam hoje em dia e dando largas à imaginação.

    O Diogo pode ficar descansado, que nenhuma dessas versões vai alterar uma vírgula que seja ao clássico de Eça! :)

    Por mim, até acho piada a esses exercícios, que dão largas a um sentido de humor que é sempre bem-vindo. Desde que bem escrito, evidentemente, o que acredito ser o caso de JLP!

    Beijocas a ambos!

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    1. No texto "Desonra e Infâmia" o Diogo tem uma opinião mais radical do que a minha sobre a continuação do livro do Eça, mas ele detesta a escrita de José Luís Peixoto.

      Não li a primeira versão, nem penso ler a segunda, mas ainda me lembro, que em 2007 o "Eça Agora - Os Herdeiros de Os Mais" foi muito bem recebido pela maior parte dos críticos.

      Continuação de boas leituras, minha cara Teté!

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  2. Fiquei um bocadinho curiosa porque li sobre a intervenção de outros escritores como Rentes de Carvalho.

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  3. É precisamente por ter um final aberto que "Os Maias" têm um significado tão especial para quem o lê e o ensina a ler!
    Fica-nos para sempre na memória aquele final...

    Abraço

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  4. Acho o maior dos disparates dar continuidade a obras, especialmente obras clássicas. Além disso também não gosto da escrita de José Luís Peixoto e acho que a sua reescrita de Os Lusíadas é de fugir - Vasco Graça Moura dixit.

    Küsse

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  5. Eça, sempre.
    Digo eu...
    Projecto curioso.
    Para acompanhar.

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  6. Tb não concordo que outros escritores tentem continuar uma obra que o autor não o quis fazer. Mas se é como a Teté diz, então “o caso muda de figura”.

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

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