Abril Despedaçado

«Abril Despedaçado» tem por cenário a região dos Mirdites, planalto isolado da Albânia, onde a lei sangrenta do Kanun é uma realidade há séculos. Assim, a
partir do momento em que o irmão de Gjorg é morto por um vizinho, o seu
próprio destino fica marcado: a lei de Kanun, resgate de sangue, exige que Gjorg mate o assassino de seu irmão e que por sua vez seja abatido pela família da
nova vítima, eternizando assim um ciclo de vingança e morte que dura há setenta anos.
Fascinado por esta lei absurda, Bessian Vorpsi, escritor de Tirana, chega a esta região com a sua jovem esposa, para estudar os costumes ancestrais e sangrentos desta vendetta de honra. Bruscamente confrontados com uma realidade que os ultrapassa, nenhum sairé ileso desta viagem.        

 
Ele contou-lhe que o assassínio ocorrera em pleno dia, na confusão da feira, que os irmãos da vítima se haviam imediatamente lançado em perseguição do assassino, pois é durante as primeiras Horas depois do crime, quando a trégua ainda não foi solicitada, que o sangue pode ser imediatamente resgatado. O assassino conseguira escapar aos seus perseguidores, mas, entretanto, o clã inteiro  da vítima se unira e procurava-o por toda a parte. Caía a noite, e o assassino, que era de outra aldeia, não conhecia bem a região. Receando ser descoberto, bateu na primeira porta que encontrou e pediu que lhe fosse concedida a bessa. O dono da casa ofereceu hospitalidade ao desconhecido, acedendo assim ao seu desejo.
«E imaginas qual era a casa à qual ele se confiara como amigo?», perguntou Bessian, aflorando com os lábios o pescoço de Diane.
«Era a casa da vítima», disse ele.
«Já desconfiava», disse ela. «E depois? Que aconteceu depois?»

Se querem saber o que aconteceu depois, têm de ler esta narrativa magistral até ao seu dramático desfecho, do escritor albanês mais conhecido, Ismail Kadaré — as suas obras estão traduzidas em diversas línguas.

«Abril Despedaçado» foi adaptado ao Cinema pelo realizador brasileiro Walter Salles, autor do filme Central do Brazil.

Kommentare

  1. Parece-me bem interessante! Vou ver se o encontro na Feira do Livro deste ano. Obrigada pela sugestão.

    Beijocas!

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. O título sugestivo deste grandioso romance, foi a razão porque o publiquei no dia 25 de Abril.

      Löschen
  2. Abril despedaçado tem por palco Portugal em 2013, Teresa.

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. O Carlos compreendeu a minha intenção ao publicar este texto.

      Löschen
  3. Eu também compreendi, ematejoca.
    Não foi só o Carlos.

    AntwortenLöschen
    Antworten
    1. Pedro, eu nem sei bem se queria, que os meus leitores soubessem o que a minha alma portuguesa sofre com a situação actual do nosso país.

      Löschen
  4. Denis Scheck fragt Judith Schalansky nach dem Unterschied zwischen Äpfeln und Birnen und erfährt von Orhan Pamuk, wie man aus einem Roman ein Museum machen kann.

    Judith Schalansky: "Naturkunden" Wer von der Natur erzählt, erzählt in Wahrheit immer vom Menschen und von seinem Blick auf das, was ihn umgibt.
    Genau dies hat Judith Schalansky ("Atlas der abgelegenen Inseln", "Der Hals der Giraffe") gereizt. In der neuen von ihr herausgegebenen Buchreihe "Naturkunden" geht es um Bäume und Krähen, um Äpfel und Birnen, um Sterne und Steine, um historische und heutige Landschaftserlebnisse. "Hier wird keine bloße Wissenschaft betrieben", sagt Schalansky, "sondern eine leidenschaftliche Erforschung der Welt." Und das in wunderbar gestalteten Bänden, bei denen man sich fragt, ob Naturerlesen nicht noch schöner ist als Naturerleben.

    Orhan Pamuk: "Das Museum der Unschuld" Nobelpreisträger Orhan Pamuk hat mit diesem Roman (2008) ein Porträt des Istanbuler Großbürgertums gezeichnet, modern, aufgeklärt, aber auch gefangen in Traditionen. Jahrelang sammelt ein Mann darin Dinge, die ihn an seine Geliebte erinnern - er stiehlt sich das Inventar eines kleinen Museums zusammen. Vor kurzem hat Orhan Pamuk in seiner Heimatstadt genau solch ein Museum eröffnet einen begehbaren Roman.

    Die besondere Empfehlung: Hiromi Kawakami "Bis nächstes Jahr im Frühling"

    Und wie immer: Denis Scheck kommentiert die aktuelle "Spiegel"-Bestsellerliste.

    AntwortenLöschen

Kommentar veröffentlichen