
O ano começa com um portuguesíssimo ponto de interrogação: Antunes, provinciano sacudido pelos acasos da sorte numa capital de mulheres da vida e outros figurões, homem em luta livre consigo mesmo, criatura que descobre a grande pergunta da identidade. Mas não há apenas um imenso ponto de interrogação na ágil reescrita que Jacinto Lucas Pires fez de Nome de Guerra (1925), obra do génio multifacetado chamado Almada Negreiros: há também pontos de exclamação direitinhos e pontos de interrogação de pernas para o ar, sinais de caveira e cardinal, bombas, asteriscos. Exactamente Antunes tem qualquer coisa de BD, mas pisca também o olho à comédia romântica, ao folhetim realista, à tragédia grega, ao melodrama, à farsa musical, ao baile de máscaras – não sendo exactamente nenhuma destas coisas. “Tudo isto é um jogo extraordinariamente lúdico sobre coisas muito sérias”, avisam-nos Nuno Carinhas e Cristina Carvalhal, cuja encenação faz do palco vazio do São João não apenas a metrópole boémia, mas também (e sobretudo!) o interior de uma cabeça.
de Jacinto Lucas Pires
a partir de Nome de Guerra, de Almada Negreiros
encenação Cristina Carvalhal, Nuno Carinhas
cenografia e figurinos Nuno Carinhas
desenho de luz Nuno Meira
desenho de som Francisco Leal
preparação vocal e elocução João Henriques
interpretação Joana Carvalho, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Lígia Roque, Mané Carvalho, Paulo Freixinho e Paulo Moura Lopes
produção TNSJ
dur. aprox. 1:30
M/12 anos


2 Kommentare:
fiquei curiosa. beijos, pedrita
Pois, mais uma vez não me fica em caminho! :)
E estou-me a preparar para a noite dos Globos de Ouro... :D
Beijocas!
Kommentar veröffentlichen