Donnerstag, 22. September 2011

Porto

Ao Porto ninguém tratava de outra maneira a não ser por Porto. O Porto era do Porto e falava com um sotaque nortenho, talvez do Porto ou então dos arredores do Porto. Ainda no outro dia eu dizia que era de Almada e a pessoa respondeu-me, ah sim de Lisboa e eu fiquei-me. Se calhar o Porto não era mesmo do Porto, mas todos o tratavam por Porto. Mas não era apenas a sua origem que o caraterizava. O Porto era um tintoleiro. Onde houvesse uma pipa, um garrafão ou uma garrafa cheia, ou meia, do rubro líquido o Porto parava e encharcava-se. Nunca vi o Porto que não estivesse bêbado. O Porto raramente andava sozinho e raras as vezes sem a mulher. Quando ele não vinha com a mulher vinha na companhia da sua bebedeira e quando vinha com a mulher, eram quatro. Ele, a mulher e duas tremendas besanas. O Porto, morava no bairro de barracas que do meu bairro, tinha um matadouro a separá-lo. O Porto cambaleava, melhor que qualquer pessoa que eu já tivesse visto cambalear. E nem nos filmes de Sam Peckinpah, um cowboy cambalearia tão bem como o Porto, depois de uma seta envenenada do Cheyenne Touro Sentado ou do Sioux Asa de Falcão.

Se havia alguém que gostava e ainda gosta de pescar era o Baixinho. Mal as férias da Páscoa começavam e já estava o Baixinho a fazer a sua abertura de época (este parêntesis é para vos falar do desgosto que um febrão, alto lá com o charuto, o fez ficar na cama numa sexta-feira santa em que o pai, com linha de mão, anzol empatado a arame e poita feita de um pedregulho moldado, tirou do rio um safio de cinco quilos e meio, a quem lhe foi dada a honra de beber uma mini no caminho para casa. Ao pai não, ao safio!). Naquele dia, tinha almoçado havia pouco tempo, a maré estava baixa demais, daria tempo para que, com a sachola, escavar umas quantas poças no ostral, recolher uma boa mão cheia de minhocas e começar a pescar um pouco mais tarde. Quis o almoço e a sua digestão que esta colheita não corresse a preceito. Quando começou a ver tudo a andar à roda, largou o sacho, a lata das minhocas, a cana de pesca, o bornal do material, o balde da pescaria, saiu, com as poucas forças que ainda lhe restavam, à procura do trilho que o levaria a casa. Caiu num barranco, à beira da azinhaga, desfalecido. E começou a viajar.

Quando acordou no hospital de Almada, algumas horas depois, parecia que ainda via o Porto, com ele aos ombros mais de dois quilómetros ribanceira acima, a entregá-lo aos pais. Felizmente que a flecha atirada por Asa de Falcão, em vez de o fazer cambalear, dotou-o falcoamente de duas divinas asas. Obrigado, Porto (sussurrou o Baixinho).

Vítor Fernandes

Kommentare:

  1. Muito interessante este conto!
    Quem é o Vítor Fernandes?
    Estás no Porto? :-))

    Abraço

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  2. Para ir ao blogue do autor deste excelente conto basta clicar Vítor Fernandes.
    Vale a pena, os contos dele lembram-me os contos do nosso famoso médico escritor: Fernando Namora.

    AntwortenLöschen
  3. Já tinha lido este conto, no blogue do Vitor, mas lamento informar-te que ele não é teu conterrâneo, suponho que nasceu, cresceu e viveu toda a vida na zona de Almada.

    Quanto ao resto, já uma vez lhe disse, sinceramente, que penso que as histórias dele são do melhor que se encontra na blogosfera! :)

    Para ti, bom "retiro" em terras nortenhas!

    AntwortenLöschen

A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

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CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
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