Uma casa cheia de histórias

"Era uma vez ..."
Histórias mais bonitas não sei eu! Ouvi-as da minha avó que à sua as ouvira também. Inesquecível é o Conto das Três Maçãzinhas de Ouro.

Havia três irmãos; o mais novo tinha três maçãzinhas de ouro, e os outros para ver se lhas tiravam mataram-no e enterraram-no num monte. Depois nasceu na sepultura uma cana. Certo dia passou por lá um pastor, que cortou um pedaço da cana pra fazer uma frauta. O pastor começou a tocar, mas a gaita em vez de tocar dizia:

Toca, toca, Ó pastor,
Os meus irmãos me mataram,
Por três maçãzinhas de ouro,
E ao cabo não as levaram.

O pastor quando ouviu isto, chamou um carvoeiro, e deu-lhe a frauta. O carvoeiro começou também a tocar, mas a frauta dizia:

Toca, toca, Ó carvoeiro,
Os meus irmãos me mataram,
Por três maçãzinhas de ouro,
E ao cabo não as levaram.

Assim foi a frauta andando de indivíduo para indivíduo, até que chegou às mãos do pai e mãe do morto. A frauta dizia ainda:

Toca, toca, Ó meu pai...
Toca, toca, Ó minha mãe,
Os meus irmãos me mataram,
Por três maçãzinhas de ouro,
E ao cabo não as levaram.

Chamaram o pastor, que disse onde tinha cortado a cana. Foram lá encontraram o cadáver com as três maçãzinhas de ouro.

Aqui deixo, tal e qual como Teófilo Braga a transcreveu nos seus Contos Tradicionais do Povo Português.
A história da minha avó era uma outra, era a do livro de contos de Trindade Coelho Os Meus Amores.

A casa da minha avó materna, que fazia hoje anos, era uma casa cheia de histórias, não admira portanto, que eu escrevesse o meu primeiro conto na tenra idade dos oito anos.

"Era uma vez ..."
Uma princesa destemida, a princesa Marisa, que libertou o príncipe azul dum verme mau, repelente.

Já nessa altura eu não gostava que fosse sempre o príncipe a salvar a princesa.

"Era uma vez ..."
Pois era ...
Começa assim a eterna história ...

Kommentare

  1. Estava a achar estranho a "frauta", mas pronto, já percebi que é transcrita de um português arcaico. A história recorda um bocado o "Príncipe com Orelhas de Burro", mas não conhecia... :))

    Beijocas!

    ps - concordo que isso de serem sempre os príncipes a salvar as princesas é um grande tédio... :D

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  2. Decidi deixar ficar a "frauta" como o autor escreveu no seu tempo.

    O "Príncipe com Orelhas de Burro" era uma outra história que eu adorava.

    Assisti aqui a uma palestra sobre lendas e histórias infantis de vários países do mundo, e foi precisamente o "Príncipe com Orelhas de Burro", o conto português escolhido.

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  3. Gostei da ideia de ser a princesa asalvar o princípe.
    Este "príncipe" foi "salvo" por três prinecesas.
    E é uma sensação óptima.

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  4. Também não conhecia.
    Que princesa destemida.
    Ao contrário de ti, prefiro que sejam os príncipes a salvar.:)
    beijinhos

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  5. Há que actualizar os heróis e as heroínas!
    E ele há tanta heroína por aí a salvar príncipes e plebeus! :-))
    Heroína = feminino de herói!

    Abraço

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  6. Fizeste-me lembrar o meu filhote que me ameaça, sempre que se zanga comigo, de deixar de ser o meu herói e eu a sua "heróia", Rosinha.
    Certo, o que dizes, até porque o velho ditado "por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher" se verifica quase sempre.:)

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