O escritor e político espanhol Jorge Semprún morreu terça-feira aos 87 anos em Paris


Jorge Semprún Maura era conhecido em todo o mundo como um escritor, intelectual, político e guionista cinematográfico espanhol, uma das obras que o projectaram, por exemplo, foi o argumento de Z (A Orgia do Poder) um filme franco-argelino de 1969, realizado por Costa-Gavras e baseado no romance homónimo de Vassilis Vassilikos.
O que empresta à obra considerável valor e significado político especial é a própria vida pregressa de Semprún, que não foi um mero escritor, ele tinha conhecimento pessoal do que se passava nos altos escalões do Partido Comunista Espanhol, ao qual aderiu quando era ainda muito jovem e vivia exilado na França, antes da II Guerra Mundial.
Durante a guerra, ele participou da Resistência até ser aprisionado pelos alemães e enviado para o campo de concentração de Buchenwald, onde permaneceu dois anos.
Em 11 de Abril do ano passado, no 65º aniversário da libertação do campo de Buchenwald, fez a última visita ao campo de onde saiu vivo por milagre ou astúcia. Em vez de declarar ser estudante, afirmou ser estucador.
Ascendendo na hierarquia do PCE até ser nomeado membro da Comissão Central, Semprún adotara o codinome de Federico Sanchez, sob o qual actuou clandestinamente na Espanha de Franco, particularmente na década de 50, quando fez várias visitas ao país na qualidade de dirigente do movimento clandestino.
Em 1964, ele e outro dirigente, Fernando Claudin, foram expulsos do partido por discrepância com a linha oficial do PCE de Dolores Ibárruri, La Passionária, e Santiago Carrillo.
A autobiografia de Federico Sanchez publicada em Novembro de 1977 provocou uma crise na liderança do Partido Comunista Espanhol, dirigido por Santiago Carrillo. Segundo Semprún, a sua expulsão foi determinada pelo próprio Carrillo, que encobria com o eurocomunismo uma política stalinista.
Afirmou ainda que Carrillo e os demais líderes não eram mais do que meros oportunistas, empenhados em enganar o povo espanhol em geral e os comunistas em particular.

Kommentare

  1. Nas minhas arumações de ontem à tarde — quero oferecer parte dos meus livros à biblioteca — encontrei a "Autobiografia de Federico Sanchez".
    Imediatamente pensei em escrever um texto sobre esta obra polémica, na qual o autor faz acusações gravíssimas aos dirigentes do Partido Comunista Espanhol e à orientação geral imprimida ao partido.

    Á noite soube que Jorge Semprún tinha morrido às 23h30 no hospital parisiense Georges Pompidou.

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