Palavras que podiam ser minhas

Após ter assumido, por inteiro, a derrota eleitoral do Partido Socialista, José Sócrates anunciou a demissão do cargo de Secretário-Geral do seu partido.
Fê-lo num discurso digno, não ao alcance da maior parte dos líderes políticos actuais. Recordo-me do triste discurso de vitória de Cavaco Silva nas últimas presidenciais.


Com a preciosa ajuda do BE e do PCP, que fizeram de Sócrates e do PS os alvos a abater, a direita conquistou o poder. Passos Coelho vai para São Bento e para que não restem dúvidas quanto ao que pretende fazer leva com ele Paulo Portas.

Viu-se no que deu a “clarividente” estratégia do BE, desde a apresentação da célebre moção de censura – os eleitores viraram-lhe as costas, reduzindo a sua presença parlamentar de 16 para 8 deputados, relegando-o para o último lugar das representações políticas na Assembleia da República. Não foi para mim surpresa. Surpresa tem sido, até agora, a expressão eleitoral do BE. É que, francamente, nunca entendi o voto dos Portugueses, não num partido, mas, de facto, num bloco de, entre outros, trotskistas, marxistas-leninistas e dissidentes do PCP! Talvez tenha sido um voto não de ideologia mas de simpatia em figuras como a da socióloga Ana Drago. Talvez…

Ideológico e seguro foi o voto na CDU. Aumentou ligeiramente o seu eleitorado (chegou-se aos 8%) e reconquistou o deputado por Faro, perdido há 20 anos. Passou a ter mais um assento parlamentar (16), o dobro dos do BE. A família comunista tem sabido, com êxito, passar de geração em geração, os ideais do partido de Álvaro Cunhal, e agora de Jerónimo de Sousa, dando-se ao luxo de levar à boleia o PEV. A sua quota eleitoral é sólida e inamovível. É um forte e indispensável partido de protesto na nossa Democracia. Pena é que o PCP não perceba que sem um PS forte a direita estará sempre no poder.

Agora, dada a maioria parlamentar absoluta ao PSD e CDS, os Portugueses têm pela frente dias difíceis, de grande dureza. Penso que não se terão apercebido, claramente, do que os espera.

Carlos Albuquerque

Kommentare

  1. Estas palavras não são minhas, mas transmitem mais coisa menos coisa a minha conclusão sobre estas eleições...

    Temo que daqui seis meses ou coisa já ande aí muita gente a gritar que afinal o Sócrates é que era bom. Porque, além de todas as medidas impopulares que se avizinham, o primeiro ministro indigitado e o seu comparsa são do mais moralista e retrógrado que há, em pessoal de 40/50 anos!

    Beijocas, Teresa, e parabéns ao autor do texto!

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  2. Toda contente, âhn?
    A Merkel ganhou mais uma eleição regional alemã...

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  3. Neste momento, Rogério, estou-me nas tintas para a Angela Merkel e para a política alemã.

    O resultado das eleições de ontem é a única coisa que me preocupa.
    Continuo a chorar a derrota do PS e a saída do José Sócrates.

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  4. É, para mim, uma honra ver um texto meu publicado no seu blogue.
    Muito obrigado!
    Um abraço do amigo de longe.

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  5. Afinal, Teresa, às vezes estamos de acordo em política. Apenas faria uma ressalva. Não foi o PCP, mas sim o BE, que provocou a queda do governo com aquela tirada maluca da moção de censura. Foi vítima do seu próprio veneno e acabou reduzido a dois táxis, com a agravante de ter perdido um dos seus melhores deputados na AR: José Manuel Pureza.
    Só me admira que Louça- um homem que tinha em boa conta- não se tenha demitido na noite de 5 de Junho.Mas não tardará muito, creio eu...

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