Freitag, 24. Dezember 2010

O sabor da neve


Brrr!
O Inverno, na verdade, chegara cedo naquele ano e mostrava-se com pressa de enregelar as coisas, os animais e as pessoas. Dezembro mal despontava e a neve tomara já posse da cidade. Estendera os seus tapetes de feltro sobre os telhados inclinados das casas e sobre a superfície plana das ruas, cobrira de mantas, ao acaso, as àrvores nuas.
Teresa com o seu dufflecoat colado ao corpo, as faces ou o que delas se via, crivadas de flocos de neve, seguia pela avenida de Berlim, em direcção a casa.
— Brr...!
Perto de casa, Teresa tropeçou numa enorme pedra escondida sob a neve, e quase ía a soltar uma praga, quando nesse instante, ouviu a voz da sua senhoria.
— O carteiro deixou uma carta para a menina. Sabe, disse ela com um sorriso malicioso, a carta não vem de Portugal, mas sim da Inglaterra.
Ao princípio mostrou-se surpreendida com semelhante carta, mas logo, impelida por uma súbita ideia:
— Oh! É de um amigo português que está a estudar em Londres.
Com efeito, a carta era do Alberto, que anunciava que vinha passar o Natal com ela.
Teresa não dormiu em toda a noite. Viu-se no Porto, naquele restaurante barato perto da Escola de Belas Artes. Foi aí, que ela conheceu o Alberto.
Na véspera da Noite de Consoada, a neve invadiu a cidade; blocos de gelo tornaram as ruas perigosas. Eram cinco horas da tarde, quando a Teresa chegou à estação, o comboio devia chegar dentro de momentos, porém devido à vaga de frio o tráfico rodoviário era caótico, e os comboios eram afectados por fortes atrasos.
Chateada, sentou-me num banco da gare e passou pelo sono. Sobressaltada, saltou do banco, quando ouviu anunciar a entrada do comboio de que estava à espera.
A figura do Alberto desenhou-se no enquadramento da porta da carruagem e, depois de trocadas as saudaçoes habituais, tomaram um táxi a caminho de casa. Já no táxi, Alberto voltou-se para a companheira com um sorriso e deu-lhe a conhecer o plano dessa noite.
— Em Londres conheci uma jovem pintora alemã, a Heike, que tem um atelier aqui na cidade, e convidou-nos para a visitarmos esta noite. Estás de acordo?
— Pergunta desnecessária, Alberto. Claro que estou de acordo!
O atelier ficava na cidade velha. Não era lá muito grande e apenas iluminado com a luz de velas pretas. Heike de estatura mediana, cabelos e olhos castanhos claros devia ter uns 28 anos. Um amigo dela, o Christian, já se encontrava no atelier quando os dois portugueses lá chegaram. Depois de beberem alguns aperitivos, foram jantar a um restaurante checo.
Ao sairem do restaurante, a Teresa e o Christian íam numa conversa tão animada, que nem repararam que a Heike o o Alberto tinham ficado para trás.
Só muito mais tarde é que deram conta, que os amigos tinham desaparecido. Procuraram nos bares que a Heike costumava frequentar, mas sem sucesso.
Na manhã seguinte, apareceu o Alberto e contou o que lhe tinha acontecido na noite anterior. Ao sair do restaurante escorregou na neve e partiu a cabeça.
A Heike levou-o ao hospital mais próximo, onde ficou para observações.
Estavam ambos pálidos e olheirentos. Teresa acordara com dores de garganta, dores no corpo e arrepios de frio, síntomes de uma gripe.
— Não temos fome, mas uma canja quentinha reconforta-nos, disse ela dirigindo-se à cozinha.
Ao cair da tarde, apareceu o Manfred, um amigo alemão da Teresa.
Vinha buscá-la para passar a Noite de Consoada com a família dele.
Que podia a Teresa responder? Não! Não! Pobre Alberto.
Sentia o coração pesado, mas subitamente egoísta aceitou o convite.
Do que então se passou, não lhe ficou mais do que uma confusa recordação. Lembrava-se com uma precisão nítida das palavras que a mãe do Manfred disse ao vê-la:
— A rapariga está a arder. Vou preparar o teu quarto para ela, e tu ficas no quarto de hóspedes. Entretanto, chama o médico de urgência.
Teresa melhorou da pneumonia e regressou à sua mansarda nos príncípios de Janeiro. Grata pelos cuidados extremos que a mãe do Manfred tinha tido com ela, mandou-lhe um lindíssimo ramo de rosas brancas através da Fleurop, o que a deixou arruinada para o resto do mês.
Um ano mais tarde, Teresa já não era a estrangeira, a estranha, o fruto exótico, que toda a família comprimida à porta da entrada olhava com curiosidade quando chegou lá a casa naquela Noite de Consoada — Teresa pertencia agora a essa família.

Por mero acaso, Teresa e Alberto encontram-se no Porto uns anos mais tarde — bem, isso é outra história.

Kommentare:

  1. ... e fica-se curioso pelo que "a outra história" trará...

    Feliz natal e um beijinho do Sofá Amarelo!

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  2. Um Santo Natal junto dos que lhe são queridos. Se fosse o João Ratão com a curiosidade com que estou já estaria dentro do caldeirão :-)

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  3. E que essa família que acolheu esta jovem continue aberta para a acariciar nesta noite fria de Natal.
    Beijinhos e Muito Bom Natal

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  4. Pois é Terezinha...ficamos com a curiosidade espevitada :)))
    Bonita história.
    xx

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  5. ...Teresa querida,

    que felicidade encontrá-la
    em meu cantinho!!

    obrigada, minha linda!

    Há uma grande diferença
    entre imaginação e
    Autorrealização.

    Através da imaginação, você
    pode ter diariamente sonhos
    subconscientes e visões
    do Cristo.

    Mas essas experiências não
    significam que você está
    verdadeiramente em
    contato com Ele.

    A verdadeira visita de Jesus é
    a comunhão com a Consciência
    Crística.

    Se você está em sintonia com
    esse Cristo, toda a sua
    vida mudará.

    Paramahansa Yogananda

    ...desejo que sua sintonia com
    Cristo seja permanente não só
    nesta data natalícia, e sim
    por todos os dias do seu viver!

    e hoje, excepcionalmente,
    deixo meu beijo com desejos
    de que tenhas um Feliz Natal
    junto à todos que você ama!

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  6. Amiga Teresa!

    Não te conhecia estes dotes e fiquei verdadeiramente encantada.

    Parabéns.

    Sabes? Eu acho que tudo de bom... acontece no Porto :))))

    Sei também o que é ser uma "estrangeira" embora EU nunca tenha vivido fora do meu país.
    Sei-o ainda hoje, 19 anos após ter deixado o Porto e decidido vir viver para a terra do meu pai.
    Ainda sou a Senhora que veio do Porto...

    Beijinhos

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  7. E às vezes - as Teresas e os Albertos até acabam por descobrir para que lado corre o rio da vida.
    Às vezes - seguem caminhos diferentes, outras, emanam-se no mesmo afago.
    O frio tem o condão de aquecer os corações.
    Um beijinho Teresa e desejo-te um Feliz Ano Novo, como sei mereceres.

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  8. Querida Teresa!

    Já ouviste?
    http://www.youtube.com/watch?v=YPbn0k87eOU
    É a voz da minha amiga Nataly Tamargo, no tal concerto de natal que eu falhei por estar doente.
    O José foi, felizmente e fez um vídeo.
    Está tudo na YouTube.

    Tu que és uma mulher das Artes, apreciarás tanto ou mais do que eu.

    Beijinhos

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  9. Teresa querida amiga!
    A história em si é ternurenta. A outra que fica por contar e por que sou muito curioso e criativo pôs-me a divagar.
    Eu que nesta altura das festas me mudei para o centro do país e onde não conheço ninguém, me sinto um pouco como peixe fora de água também.
    Mas haja telas para pintar, cadernos com folhas em branco para desenhar e escrever e com o tempo se vão fazendo amizades e me irei inserindo. Por hora tenho os meus amigos que por esta via nunca me deixam sentir só.
    Desejo-te um Ano Novo repleto de realizações, muita paz e o melhor remédio para o frio... muito amor à tua volta.
    Kandandos meus.

    AntwortenLöschen
  10. Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Um abraço e fique com DEUS.

    http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

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  11. Deixou-me com água na boca. Que irá seguir-se? Entraremos em 2011 com um conto da Teresa sobr ofuturo, ou sobre o passado?
    Fico a aguardar expectante.
    Beijinhos

    AntwortenLöschen
  12. Já percebemos que isto tem alguma coisa de autobiográfico. Agora tens de contar o resto!
    Bjs e resto de boas festas.

    AntwortenLöschen
  13. Em virtude de o meu pai não se encontrar em condições psicológicas de o fazer, a seu pedido envio a toda(o)s a(o)s amiga(o)s - que segundo ele tanta força e carinho lhe ofereceram e continuam a oferecer - um eterno agradecimento, neste Santo Natal, com votos daquilo que afinal é o mais importante: SAÚDE.

    Beijos e abraços.

    Paulo Pais

    Queridas amigas Teresa e EMA

    Esta foi a mensagem que o meu filho mais velho fez o favor de enviar a todos os meus contactos. Mas só por e-mail, pois ele não percebe nada de blogues.
    Estive "retirado", mas felizmente já me encontro melhor e fiquei muito sensibilizado com a sua generosidade quando agora fui visitar o meu blogue. Ainda não acredito, amiga! Mas, ontem recebi uma chamada do Josué que me animou muito.
    Desejo-lhe tudo de bom para o ano de 2011, a si e familiares, sobretudo à pequenita e linda Ema. A vida é tão breve, amiga!
    Muito obrigado por manter no cabeçalho do blogue uma imagem da Isabelinha.
    Envio-lhe beijinhos com muita ternura.
    António

    AntwortenLöschen
  14. olá teresa,
    beijinhos natalícios especiais para si também, e espero que o ano novo seja sempre feliz!
    as fábulas foram-se completando...
    agora ando por aqui:
    http://somesongsofmylife.blogspot.com/
    e a partir de janeiro por aqui:
    http://poediapoedia.blogspot.com/
    bjs,
    josé luís

    AntwortenLöschen
  15. Por acaso no final da história fiquei a pensar no que teria acontecido a Alberto... :)

    Espero que tenhas tido um Feliz Natal, desta vez já sem pneumonia a acompanhar! Mas com igual carinho de todos os que te são próximos...

    Beijinhos!

    AntwortenLöschen
  16. Oi Teresa!!

    Recebi hoje teus votos de Boas Festas, e espero não seja tarde para os retribuir!!!

    E antes que me esqueça, teu conto rico enterneceu meu coração desesperançado de final de ano...!

    Obrigada. Obrigada mesmo. É extremamente bom não se sentir estrangeiro em um local ao menos.

    Beijo grande.

    Que seu 2011 seja intenso, corajoso e cheio de força!

    Carla

    AntwortenLöschen
  17. Por falar em frio...estou para ver se na Suiça vou ter tanto frio como tive ai em Düsseldorf =)

    AntwortenLöschen

A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

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CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

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Muito obrigada à Edna pela nomeação

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

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Do ARTISTA MALDITO

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Do Artista Maldito

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