Montag, 20. Dezember 2010

Ler Saramago

Sobre os dotes de Maria, por enquanto, só procurando muito, e mesmo assim não acharíamos mais do que é legítimo esperar de quem não fez sequer dezasseis anos e, embora mulher casada, não passa duma rapariguinha frágil, por assim dizer dez-réis de gente, que também naquele tempo, sendo outros os dinheiros, não faltavam destas moedas. Apesar da fraca figura, Maria trabalha como as mais mulheres, cardando, fiando e tecendo as roupas da casa, cozendo todos os santos dias o pão da família no forno doméstico, descendo à fonte para acarretar a água, depois encosta acima, pelos íngremes carreiros, um gordo cântaro à cabeça, uma infusa apoiada no quadril, e indo depois, ao cair da tarde, por esses caminhos e descampados do Senhor, a apanhar gravetos de lenha e a rapar restolhos, levando por acrescento um cesto com que recolherá as bostas secas do gado, e também esses cardos e espinhosas que abundam nas declivosas alturas de Nazaré, do melhor que Deus foi capaz de inventar para acender um lume e entrançar uma coroa. Todo este arsenal reunido daria uma carga mais própria para ser trazida a casa no lombo do burro, não fosse a poderosa circunstância de estar a besta adstrita ao servico de José e ao transporte das madeiras. Descalça vai Maria à fonte, descalça vai ao campo, com os seus vestidos pobres que no trabalho mais se sujam e gastam, e que é preciso estar sempre a lavar e remendar, para o marido vão os panos novos e os cuidados maiores, mulheres destas com qualquer coisa se contentam. Maria vai à sinagoga, entra pela porta lateral, que a lei impõe às mulheres, e se, é um supor, lá se encontram ela e trinta companheiras, ou mesmo todas as fêmeas de Nazaré, ou toda a população feminina de Galileia, ainda assim terão de esperar que cheguem ao menos dez homens para que o serviço do culto, em que só como passivas assistentes participarão, possa ser celebrado. Ao contrário de José, seu marido, Maria não é piadosa nem justa, porém não é sua a culpa dessas mazelas morais, a culpa é da língua que fala, senão dos homens que a inventaram, pois nela as palavras justo e piedoso, simplesmente, não têm feminino.

O Evangelho segundo Jesus Cristo, Caminho, 5ª edição, pg.30-31.

Kommentare:

  1. Querida Teresa!

    Mudei só o código postal, não mudei de casa :((((
    Já sei que também tenho culpa, pronto! Estamos empatadas... mas não zangadas!!!

    Tenho lido pouco... muito pouco mesmo!
    Gostei do post sobre Saramago, há sempre algo para revelar e que me fascina.

    Querida, trago palavras de Maria José Areal, a minha poetisa do Rau que já conheces, para te desejar um Feliz Natal.
    Beijinhos

    Este Natal …

    Um tempo,

    Um espaço,

    O abraço.

    É o Natal de sempre

    Igual a outros Natais de outros tempos,

    Igual a si mesmo na manifestação,

    Na celebração,

    No acontecimento.

    Todo o enfoque que lhe damos,

    Tudo que o envolve amarra e ata

    São proveito e proventos

    De manifestações acordadas,

    Temperadas e outorgadas

    Pelos tempos instalados,

    Presentes no desassossego

    Das nossas vontades,

    Ausentes na luz da madrugada

    E na lonjura do brilho da safira.

    O Natal será sempre

    Um Tempo,

    Um Espaço,

    Uma época,

    De sementeira de amor,

    De enxugar a dor

    No grito gritado,

    No dardo lançado,

    Na meta traçada,

    Na mão amarrada

    Ao cais da esperança.

    O Natal deste tempo

    Será sempre e quando

    O Homem estiver disponível

    Na leira do seu coração.

    Natal de 2010

    Maria José Areal

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  2. Retrato de Maria
    Seria assim, não seria
    Que importa,
    se se afigura tão humana...

    (Minha mãe chamava-se Maria. Sabia?)

    AntwortenLöschen
  3. Amiga Teresa!

    Entrou, está lá!
    Não acredito que tenhas dificuldade alguma, não mesmo!
    Não é nada teu recear o que não conheces ou não dominas.
    Tentar até descobrir, esse é o lema de todos os que não querem ficar "entorpecidos"...
    Sei que me entendes e não levas a mal!

    Beijinhos, um abração e até ao Ano.
    Lembrei-me hoje de ti ao ver fotos que o meu José fez em Moledo do Minho.
    Depois vou publicar e verás.

    AntwortenLöschen
  4. Querida Teresa!

    Já me fartei de rir :)))
    Explico-me!

    Tenho agora a certeza absoluta de que tentaste várias vezes, está tudo lá :)))

    Como decidiste publicar uma mensagem original, todas elas estavam em Spam :))))

    Desculpa eu estar a rir-me, mas andei às voltas e lá os encontrei a todos.

    Eu sabia que não és das que desistes!!!
    És das minhas, pois claro.

    Beijinhos

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  5. É, também achei essa Maria de Saramago muito humana e humilde. Como devia ser hábito nas mulheres desses tempos... :)

    Beijocas!

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  6. Que descanse em paz, que bem merece!

    AntwortenLöschen
  7. O Saramago, o Saramago...

    A Maria não conheço de lado algum!



    ;)

    AntwortenLöschen

A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

Certificado de Participação
"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

Muito obrigada, Tossan!

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Muito obrigada à Edna pela nomeação

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Muito obrigada à Cleopatra Moon pela nomeação!

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Da minha amiga de sempre a Isabel Cabral!

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

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"Eu saí da Terra três vezes. E eu descobri que não há outro lugar para ir", disse o astronauta Wally Schirra

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Do ARTISTA MALDITO

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