Mittwoch, 20. Oktober 2010

FUGA DA MORTE de Paul Celan

Leite negro da madrugada nós o bebemos de noite
nós o bebemos ao meio-dia e de manhã nós o bebemos de noite nós o bebemos bebemos
cavamos um túmulo nos ares lá não se jaz apertado
Um homem mora na casa bole com cobras escreve
escreve para a Alemanha quando escurece teu cabelo de ouro Margarete
escreve e se planta diante da casa e as estrelas faíscam ele assobia para os seus Mastins
assobia para os seus judeus manda cavar um túmulo na terra
ordena-nos agora toquem para dançar
Leite negro da madrugada nós te bebemos de noite
nós te bebemos de manhã e ao meio-dia nós te bebemos de noite nós bebemos bebemos
Um homem mora na casa e bole com cobras escreve
escreve para a Alemanha quando escurece teu cabelo de ouro Margarete
Teu cabelo de cinzas Sulamita cavamos um túmulo nos ares lá não se jaz apertado
Ele brada cravem mais fundo na terra vocês aí cantem e toquem
agarra a arma na cinta brande-a seus olhos são azuis
cravem mais fundo as pás vocês aí continuem tocando para dançar
Leite negro da madrugada nós te bebemos de noite
nós te bebemos ao meio-dia e de manhã nós te bebemos de noite nós bebemos bebemos
um homem mora na casa teu cabelo de ouro Margarete
teu cabelo de cinzas Sulamita ele bole com cobras
Ele brada toquem a morte mais doce a morte é um dos mestres da Alemanha
ele brada toquem mais fundo os violinos vocês aí sobem como fumaça no ar
aí vocês têm um túmulo nas nuvens lá não se jaz apertado
Leite negro da madrugada nós te bebemos de noite
nós te bebemos ao meio-dia a morte é um dos mestres da Alemanha
nós te bebemos de noite e de manhã nós bebemos bebemos
a morte é um dos mestres da Alemanha seu olho é azul
acerta-te com uma bala de chumbo acerta-te em cheio
um homem mora na casa teu cabelo de ouro Margarete
ele atiça seus mastins sobre nós e sonha a morte é um dos mestres da Alemanha
teu cabelo de ouro Margarete
teu cabelo de cinzas Sulamita

(Tradução de Modesto Carone no livro: "Quatro mil anos de poesia", J. Guinsburg e Zulmira Ribeiro Tavares, Ed. Perspectiva, 1969, SP

O poema Fuga da Morte, publicado em Mohn und Gedächtnis (Papoila e Memória), 1952 é, do ponto de vista artístico, uma das mais importantes criações em língua alemã sobre o extermínio nazista dos judeus.

Kommentare:

  1. Querida Amiga

    O que dizes no meu blog sobre a ausência da tua mãe, sucede exactamente o mesmo comigo. Faz em Abril 8 anos que a perdi e não há dia nenhum em que esteja a meter o carro na garagem que não pense ... "Falta-me alguma coisa ... Falta-me ir à minha mãe". Contudo lembro-me do seu espírito forte e positivo que fazia da tristeza coragem e da alegria o caminho principal da vida. Sei que ela não queria ver-nos tristes e sobretudo que escurecessemos a vida com a sua partida. Frisou-nos isto mais que uma vez, daí que eu tenha assumido este lema e tenha conseguido "viver".

    Tenta pensar naquilo que a tua mãe gostaria que fosses, talvez te ajude a encarar a ausência dela de outra forma.
    Força, Amiga!

    Um abraço
    Licas

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  2. "Sandkunst" - Impressionen zu Paul Celans Frühwerk

    Der Weg, den Paul Celans Gedichte von ihren Czernowitzer Anfängen bis zum ersten, in Deutschland veröffentlichten Gedichtband "Mohn und Gedächtnis" nahmen, ist lang und verworren: Sie begleiteten ihn über mehr als zehn Jahre, durch vier Länder bis in das Pariser Exil, um dann nur zu einem kleinen Teil an eine breitere Öffentlichkeit zu kommen. Dr. Peter Goßens und Olaf Reitz werden in einer Kombination aus Vortrag und Rezitation Celan durch die verschiedenen Lebensstationen von Czernowitz bis Paris begleiten und dabei die wichtigsten Themenkomplexe seiner Lyrik vorstellen.

    Dr. Peter Goßens ist Akademischer Rat am Lehrstuhl für Komparatistik an der Ruhr-Universität Bochum.
    Er ist Autor und Kurator mehrerer Ausstellungen und Buchprojekte zu Paul Celan, u.a. Mitherausgeber des "Celan-Handbuch" (2008).
    Sein Habilitationsprojekt: "Weltliteratur. Geschichten. Transnationale Literaturwahrnehmung im 19. und 20. Jahrhundert".

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  3. Por cá também bebemos, mas com IVA a 23%, apartir de janeiro. Ma o problema português é a falta de chá!

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  4. Ainda antes de ler sobre o que era, pareceu-me forte e opressivo.

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  5. E porque li o primeiro comentário em cima, quis trazer para aqui, algo que me ajudou um bocadinho, de um Sermão feito pelo Canon Henry Scott Holland no Domingo de Ramos de 1910.




    O Quarto Ao Lado


    A morte não é nada ... Eu apenas fui para o quarto ao lado. Eu sou eu, e tu és tu. O que quer que tenhamos sido um para o outro continuamos a ser. Chama-me pelo meu nome familiar, fala comigo da forma fácil que sempre usaste. Não uses um tom diferente, não faças um ar forçado de solenidade ou mágoa. Ri como sempre rimos das pequenas piadas que nos divertiam aos dois. Reza, sorri, pensa em mim – deixa o meu nome continuar a ser a palavra familiar que sempre foi, deixa-o ser falado sem efeitos, sem a marca de uma sombra. A vida significa o que sempre significou. É a mesma que sempre foi, não houve nenhuma quebra de continuidade. Porque deveria ficar fora da tua mente só porque estou fora da tua vista? Eu estou à tua espera, num intervalo, algures muito próximo, logo a seguir à esquina. Está tudo bem.

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  6. Mariana Rey Monteiro morreu quarta-feira, 20 de Outubro de 2010, aos 87 anos.
    Afastada há mais de dez anos da interpretação, a actriz despediu-se de cena no papel de uma protagonista, em "Vidas de Sal".
    Mariana Dolores Rey Colaço Robles Monteiro, nascida em Lisboa a 28 de Dezembro de 1922, cedo se sentiu atraída pelo teatro.
    Depois de alguns recitais de poesia, a actriz estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II, em 1946, com a peça "Antígona", sob direcção dos pais, Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro.

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

OBRIGADA, AFRODITE!

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“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito”
Søren Aabye Kierkegaard

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

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CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

Muito obrigada, Tossan!

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Muito obrigada à Edna pela nomeação

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Da minha amiga de sempre a Isabel Cabral!

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

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