Sempre Saramago

O Rogério do conversa avinagrada lançou o desafio; o Carlos do crónicas do rochedo escolheu O Verão segundo Saramago; o Carlos do conversas daqui e dali rendeu-se às suas palavras. E eu?
O meu primeiro encontro com José Saramago ocorreu há alguns anos com O Evangelho segundo Jesus Cristo. O romance mostra um Jesus cheio de dúvidas e é, com toda a certeza, um dos romances mais polémicos do século XX, escritos na língua portuguesa. Por esse motivo, deixo aqui um excerto, que se pode ler no Evangelho (págs. 210-211 da edição portuguesa):

"Agora vais dizer-me, segundo o que te aconselhem as tuas luzes, se, chegando nós um dia a ser poderosos, permitirá o Senhor que oprimamos os estrangeiros que o mesmo Senhor mandou amar, Israel não poderá querer senão o que o Senhor quer, e o Senhor, porque escolheu este povo, quererá tudo quanto for bom para Israel. Mesmo que seja não amar a quem se devia. Sim, se essa for, finalmente, a sua vontade, De Israel ou do Senhor, De ambos, porque são um. Não violarás o direito do estrangeiro, palavra do Senhor, Quando o estrangeiro o tiver e lho reconheçamos, disse o escriba."

Kommentare

  1. Excelente escolha, Teresa. Quando o livro foi lançado estava em Macau e tive oportunidade de escrever vários artigos sobre a polémica que por ali estalou em torno do livro.
    Está longe de ser dos meus preferidos de Saramago, mas nenhum gerou tanta polémica. Nem mesmo Caim

    AntwortenLöschen
  2. Embora seja um fã de Saramago, o que faz muitos considerar o "Evangelho segundo Jesus Cristo" tão bom, não é a qualidade do livro, mas sim a polémica que ele causou e motivações políticas.
    Não só Saramago tem muitas outras obras que literariamente são muito mais ricas (o Memorial, o Ano da Morte de Rcardo Reis, O Ensaio sobre a cegueira, etc.) como Portugal, felizmente, tem muitas, mesmo muitas obras acima do seu polémico evangelho.
    Tal não impede que não seja uma importante obra e que mesmo que o não fosse, não deveria ter sido censurada por um político associado à cultura.

    AntwortenLöschen
  3. Amiga Teresa!

    O Evangelho Segundo Jesus Cristo, foi mesmo o meu primeiro livro de Saramago, e amei tanto que nunca mais parei!!!
    Quis começar exactamente pelo mais polémico, o que o levou a ser "excomungado" pelo então governo de Cavaco Silva.
    Li-o num par de dias, em Armação de Pera-Algarve!

    Já li muitas obras do nosso amado José Saramago, actulmente tenho Caim para ler, mas ainda não lhe peguei porque estou com dois outros livros entre mãos.

    Para mim, tudo o que Saramago escreveu é para ler, é lindo, contém mensagens importantes e riquíssimas.

    Gostei imenso da escolha.
    Parabéns!
    Beijinhos

    AntwortenLöschen
  4. Teresa,
    Juro que aqui deixei um comentário. às vezes acontece...
    Desaparece!
    Vinha só dizer que considerei este post mais o editado
    em privado...

    (tenho boas noticias das peixeiras do Bolhão...)

    Beijinho

    AntwortenLöschen
  5. Agora percebo melhor o teu comentário. ;)

    AntwortenLöschen
  6. Porque a curiosidade se me chegou, fui à casota do Rafeiro Perfumado ler o seu comentário lá deixado, e a que ele aqui se refere com um piscar de olhos.
    Lido o comentário e este post, continuo sem perceber porque diz a Teresa não saber se gosta, ou não, de Saramago!
    A escolha deste extracto do Evangelho (excelente, na minha opinião, tal preferência só está ao alcance de quem percebeu o escritor)mais embaraçou a minha incompreensão...mas, porque o editou, não posso deixar de lhe dar os parabéns.
    A minha porta de entrada na obra de Saramago não foi o Evangelho. Iniciei-me na sua leitura, há muitos anos, pelas Crónicas. A certa altura, ao ler uma delas, disse para comigo, como Mozart sobre Beethoven: "Não o percam de vista, um dia há-de dar que falar".
    Depois, encontrei-me com Belimunda, no Memorial.Foi aquela mulher, vendo no interior dos corpos os males que destroem a vida e as verdades que corroem o mundo dos homens,a quem disse o padre Bartolomeu de Gusmão chamar-te-ás Sete-Luas porque vês às escuras,que me levou, definitivamente, para a leitura de Saramago, que nunca mais parei.
    Desculpe a extensão do comentário.
    Um abraço

    AntwortenLöschen

Kommentar veröffentlichen