Passeio de Páscoa

Descoalharam-se os rios e ribeiros.
Bem haja a primavera! Já nos viça
por todas essas veigas esperança.
O inverno, já caduco, aí vai buscando
refúgio pelas serras. Pobre inverno!
ver como ainda está baldando raivas
por se vingar da fuga! e nós a rirmos
dos tiros mortos, que de lá nos lança,
granizo imbele, que realça os verdes,
mal que um raio de sol os desmortalha.
Por toda a parte desabrolham vidas.
Que folgazão que é o sol! Como se alegra
de entrajar de matiz a natureza!
Como inda por aqui lhe minguam flores,
supre-as com tanta gente pintalgada.
Vira-te para trás! Desta eminência
olha para a cidade; o formigueiro,
que do escuro da porta vem surdindo!
Não há quem neste dia não cobice
vir ao campo assoalhar-se. Este alvoroço
co’o ressurgir de Cristo, é clara mostra
de outra ressurreição em todos eles.
– Da casa-sepultura, – das canseiras
da oficina ou do trato; – da estreiteza
dessas vielas, que apelidam ruas,
– do soturno dos templos, – é o instinto
quem os promove à luz. Vê com que anseio
se atira a turbamulta ao campo, às quintas!
Que barcadas de gente jubilosa
sobem, descem, transpõem a movediça
veia do rio! Vê-me aquele bote
além, além, o último; de cheio
já mete a borda na água; até as sendas
dos montes lá ao longe estão querendo
quebrar-nos olhos co’as garridas cores
do gentio que as peja. Já cá chega
o estrondear da aldeia. O céu do povo,
se há céu do povo, é isto; o rapazio,
os homens feitos, tudo grita, salta,
ri, tripudia. Aqui me sinto eu homem,
e me é dado que o seja.

O Passeio de Páscoa é o verso mais famoso de Fausto I — Uma tragédia — de Johann Wolfgang von Goethe.
É um hino à natureza e à vida que desperta depois de um longo e triste inverno. O verde da natureza acorda nas pessoas o desejo de sair das suas casas em busca do ar puro — passeando longamente através da atmosfera primaveril.
No Domingo de Páscoa também Fausto resolve sair do seu quarto acompanhado pelo seu discípulo Wagner, misturando-se com o povo, que o recebe com cordialidade e respeito. Há um raio de esperança em Fausto quando exclama:
"Aqui sou homem, aqui o posso ser".

Kommentare

  1. Percebi que chegara Primavera, quando a luz de Lisboa, ao final da trade, me começou a revolver por dentro. Bem vinda seja!

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  2. É tão bom sentir esta ansiedade de viver, que a Primavera traz! Hoje, o dia esteve magnífico, aqui!
    Bjs

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  3. Vor dem Tor

    Faust. Vom Eise befreit sind Strom und Bäche
    Durch des Frühlings holden, belebenden Blick,
    Im Tale grünet Hoffnungsglück;
    Der alte Winter, in seiner Schwäche,
    Zog sich in rauhe Berge zurück.
    Von dort her sendet er, fliehend, nur Ohnmächtige Schauer körnigen Eises
    In Streifen über die grünende Flur.
    Aber die Sonne duldet kein Weißes,
    Überall regt sich Bildung und Streben,
    Alles will sie mit Farben beleben;
    Doch an Blumen fehlts im Revier,
    Sie nimmt geputzte Menschen dafür.
    Kehre dich um, von diesen Höhen
    Nach der Stadt zurück zu sehen!
    Aus dem hohlen finstern Tor
    Dringt ein buntes Gewimmel hervor.
    Jeder sonnt sich heute so gern.
    Sie feiern die Auferstehung des Herrn,
    Denn sie sind selber auferstanden:
    Aus niedriger Häuser dumpfen Gemächern,
    Aus Handwerks- und Gewerbesbanden,
    Aus dem Druck von Giebeln und Dächern,
    Aus der Straßen quetschender Enge,
    Aus der Kirchen ehrwürdiger Nacht
    Sind sie alle ans Licht gebracht.
    Sieh nur, sieh! wie behend sich die Menge
    Durch die Gärten und Felder zerschlägt,
    Wie der Fluß in Breit und Länge
    So manchen lustigen Nachen bewegt,
    Und, bis zum Sinken überladen,
    Entfernt sich dieser letzte Kahn.
    Selbst von des Berges fernen Pfaden
    Blinken uns farbige Kleider an.
    Ich höre schon des Dorfs Getümmel,
    Hier ist des Volkes wahrer Himmel,
    Zufrieden jauchzet groß und klein:
    Hier bin ich Mensch, hier darf ichs sein!

    Der Osterspaziergang ist wohl der bekannteste Vers aus der Tragödie Faust I. von Johann Wolfgang von Goethe. Am Ostersonntag unternimmt Faust mit seinem Famulus Wagner einen festtäglichen langen Spaziergang und mischt sich in der vom Frühling bestimmten Natur unter das promenierende Volk.

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