Montag, 29. März 2010

Correr de chinelos

Pelos vistos, enquanto Phelps mostrava em Atenas que há vida em Marte e Bolt se ria dos adversários, ocorreu na Eslovénia os Jogos dos Veteranos, abertos a velhinhos. Era vê-los a correrem e a saltarem como se não houvesse amanhã – e se continuam assim qualquer dia não há.
Era de facto impossível ver aquelas imagens sem ter medo que desse o abafanico a algum deles. Suados, bufavam-se por todos os lados, os cabelos a caírem, mas sem desistirem. E pelos vistos, há um português que papa tudo e já tem uma quantidade de medalhas de ouro no seu quarto. Com gente como esta, fomos para Pequim com o Obikwelu, que na prova em que foi eliminado é que parecia ter setenta anos e fazer retenção de líquidos.
Há inclusivamente um padre em competição, que estranha não ganhar a maior medalha. Os padres estão habituados ao ouro, quanto mais não seja nos dentes, e a ajuda divina também deveria ser um empurrãozinho jeitoso.
Santos velhinhos. Exemplos de vida, dizem eles. Para a vida de quem é que eu não sei. Para mim, o meu avô, esse sim, é um exemplo de vida. Um exemplo de que, afinal, existem recompensas.
Eu observo-o, de chinelos, a ler o Público. Botija de água quente e manta quando o frio aperta, ventoinha colada ao nariz em pleno Agosto. A televisão sempre ligada, alternando entre a SIC Notícias e a RTPN, uma espiadela rápida pelo decote da Catarina Furtado na RTP1. Sai para o seu passeio matinal, bem-disposto, guarda-chuva e gabardine bege no Inverno e chapéu no Verão. Vai comprar o jornal, ou melhor, os jornais, dois são rotina, um tem uma reportagem interessante sobre um qualquer assunto actual, cinco outros oferecem DVDs, um tem prémio ao sábado – não se sabe bem qual – e outro ainda, 24Horas, tem a Catarina Furtado na capa. Quando estou em casa dos meus avós, ainda me traz O Jogo. Uma fraqueza minha, não liguem.
Come muita fruta, e muita sopa. Ao jantar, come excepcionalmente coisa pesada. Uma sandes faz-lhe as medidas, para não se deitar muito cheio. Deita-se e tem televisão na cama. Vê as últimas notícias do dia antes de adormecer. Está sempre bem-disposto, tem uma piada natural, carismática, refinada.
Observo-o e penso “um dia ainda vou assim”. Eu observo os atletas que competiram nos Jogos de Veteranos e penso “espero morrer antes de ficar assim senil”.
O meu avô não corre há trinta anos. A única vez que o vi a correr foi atrás do chapéu que lhe voou. E não correu muito depressa. Mas já me ensinou como andar na rua sem estar curvado. E isso irá fazer maravilhas pela minha velhice.
Quando eu tiver cinquenta anos, não quero ter a forma física da Madonna. Quando eu tiver setenta, não quero correr maratonas. Mas quando tiver oitenta, quero ter os chinelos do meu avô.

Diogo Hoffbauer

Kommentare:

  1. Onde é que já li isto? :)

    Mesmo assim, tem piada reler...

    Beijinhos, Teresa!

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  2. Eu tenho os chinelos do meu avô...Como quem diz, nas
    crónicas, poemas, livros e na educação que me deixou.
    Grato Teresa pelas palavras amáveis que me deixaste.
    Recebe um kandando repleto de coisas boas, óptima semana!

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  3. meredsMinha amiguinha de longe, ainda não desapareci mas até parece não é, hoje venho só desejar uma PÁSCOA FELIZ, como um jardim colorido de flores perfumadas onde a vida se renova a cada dia.
    Beijinhos

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  4. Teresa não sei o que aconteceu mas foi muito estranho as letras que aparecem para publicamos depois ficaram gravadas antes das minhas palavras (mereds)foram as letras que apareceram e ficaram também, nunca me aconteceu uma coisa destas, mas é só para perceber o que é que aquilo ali está fazer, ou como apareceu ok.

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A minha alegria é o aroma de tangerina nos dedos

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Düsseldorf, Nordrhein-Westfalen, Germany
Lamego foi a cidade que me viu nascer. Porto foi a cidade que me viu crescer. Düsseldorf é a cidade que está a ver-me envelhecer.

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I – AVÉ-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no mar, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!

Cesário Verde

O sentimento de um Ocidental

BIBLIOTECAS

CARTÃO PRÓSPERO

É o nome de uma das mais emblemáticas personagens de Shakespeare: Próspero, o mago de "A Tempestade". Muitos viram nele a encarnação dramática do Bardo de Stratford-upon-Avon e a metáfora do próprio Teatro. Próspero é também o nome de um Cartão que o TNSJ concebeu para servir de presente de Natal ou aniversário.
Entre os benefícios concedidos por este Próspero, contam-se entradas duplas para espetáculos da programação TNSJ, descontos especiais em publicações, e convites para ensaios abertos e actividades paralelas.
Mais informações nas Bilheteiras do TNSJ.

Passeios literários

Lista de boas intenções

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer!

Quero separar-me de tudo aquilo, que não preciso. Só quem larga, tem as mãos livres!

Não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje!

Certificado de Participação

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"O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor".
Chico Buarque, "Umas e Outrass"


Livro, um amigo
para brincar comigo,
um navio para viajar,
um jardim para brincar,
uma escola para levar
debaixo do braço.

If I should learn, in some quite casual way
That you were gone, not to return again -
… I should but watch the station lights rush by
With a more careful interest on my face.

Edna St. Vicent Millay

A verdadeira viagem de descoberta consiste não em ver novas paisagens, mas em vê-las com novos olhos.

Marcel Proust

  • Große Bücher haben viele Kerne. Aber wenn Orhan Pamuk noch irgendetwas aus dieser Zeit besitzt, vielleicht ein Teeglas, dessen Rand sich noch immer an die süßen Lippen und den kleinen Mund der Schwarzen Rose erinnern kann, als sei er gestern davon berührt worden, dann werden wir dieses Glas eines Tages im Museum der Unschuld sehen und uns an die Zauberworte erinnern, die sein Schlaf geboren hat.
O caminho para todas as coisas grandiosas passa pelo silêncio.

Friedrich Nietzsche

ZEIT ZUM LESEN

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Seit 4. September 2008 probiert Teresa ihr neues BÄREN Leben aus!

Demasiada pequena para pensar em Deus
Demasiada segura de si mesma para pensar em Deus
Demasiada enamorada para pensar em Deus
Demasiada ocupada para pensar em Deus
Demasiada cansada para pensar em Deus
- demasiado tarde para pensar em Deus
Like sands thru the hour glass so are the days of our lives.

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.

Stª Teresa D'Ávila
“Quando todos pensam o mesmo, ninguém pensa muito” Søren Aabye Kierkegaard

Escrever é pura e simplesmente uma maneira de criar imagens multicolores!

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Directo do Porto para Düsseldorf do Artista Maldito com a benção do Joseph Beuys

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Da TETÉ

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"Eu saí da Terra três vezes. E eu descobri que não há outro lugar para ir", disse o astronauta Wally Schirra

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Do ARTISTA MALDITO

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