Salazar e suas mulheres - A vida secreta de Salazar, oposto absoluto do pudor, isolamento e austeridade da vida pública!



Dependendo do interlocutor, António de Oliveira de Salazar teve todos os defeitos ou todas as virtudes. Trinta e nove anos depois da sua morte, a figura do ditador parece avessa a meios-termos. E a nova mini-série da SIC vem provar isso mesmo, ao mostrar o lado mais sedutor do governante que, dizia-se, estava casado com a pátria.
A história de António, era assim que as mulheres o tratavam, termina junto à água. As botas esquecidas no areal, as calças arregaçadas um pouco abaixo do joelho e o homem a caminhar em direcção às ondas pequenas de uma praia da Linha. Christine Garnier, a jornalista francesa que ele seduziu e afastou, sobe a falésia ao encontro do carro que a há-de levar ao hotel e à máquina de escrever. António não se vira. O mar está calmo.
Christine é o fio condutor. É através dela que, em dois episódios de 90 minutos, a SIC vai contar "A Vida Privada de Salazar". A mini-série, um dos maiores investimentos do canal para este ano, mostra algumas das mulheres que, ao longo de 40 anos, privaram de perto com o ditador. Mas revela algo mais. Salazar era um homem supersticioso, um ávido coleccionador de canivetes e um dia, numa festa, onde tinha ido a convite do ministro Duarte Pacheco, pediu um absinto no bar.
Diogo Morgado, que interpreta o papel de Salazar, da juventude à morte, aparece rodeado de mulheres bonitas: Helena Noguerra (Christine), Soraia Chaves (Maria Emília Vieira, a astróloga), Cláudia Vieira (a amante de Maria Emilia), Maria João Pinho e Benedita Pereira (Felismina e Hermínia Oliveira), Catarina Wallenstein (Julinha Perestello) e Ana Padrão (Carolina Asseca). Margarida Carpinteiro surge como Maria de Jesus, a governanta de uma lealdade a toda a prova. Há mesmo uma cena em que Salazar acabou de se retirar, de braço dado com Christine Garnier, e deixou Maria de Jesus no pátio junto a um cão castanho.
Mas a subtileza, ainda que trabalhada, nem sempre é a melhor arma. Por isso, depois de Salazar tentar beijar a jornalista francesa três vezes, e de três vezes ter sido interrompido (duas por Maria de Jesus e uma por um gato), os dois envolvem-se nas escadas. Beijam-se a caminho do quarto e, antes de a porta fechar, a mão de Christine desaperta o cinto de António. A apregoada castidade de Salazar também cai.
Ao longo da história, com argumento de Pedro Marta Santos e António Costa Santos, Salazar é um seminarista dividido entre o amor de duas irmãs e, mais tarde, um professor universitário que se apaixona pela jovem a quem ajuda com os estudos. O amor com Julinha Perestrello é um dos momentos marcantes da série. Não só por ter sido Julinha, talvez, o grande amor de António, mas principalmente porque a mãe da rapariga, para quem o pai de Salazar trabalhava, descobre a relação de ambos e o manda calar. Terá sido a última mulher a fazê-lo. Só que "cale-se" e "não se esqueça das tamancas do seu pai" foram duas frases que Salazar nunca esqueceu. E, anos mais tarde, quando o Julinha o procura, o senhor presidente do conselho manda dizer por Maria que não está.
A par do romance com Christine, é a relação com Maria Emília Viera a mais explorada. Soraia Chaves interpreta a astróloga que chega ao Terreiro do Paço a cavalo e que deita um homem abaixo com um murro. É ela que faz a carta astral de Salazar, é a ela que ele recorre depois do atentado e é também com ela que António bebe o tal absinto. A relação entre ambos termina numa estranha viagem de carro, que mostra como o seminarista de Santa Comba Dão é diferente da rapariga que viajou por toda a Europa.
A história de António, pois era assim que todas as mulheres o tratavam, começa junto à água. Ouve-se um barulho seco ao longe. Maria de Jesus, a governanta, tira os olhos do espelho e corre para a casa-de-banho. Salazar caiu na banheira. Pede-se uma ambulância. O ditador não morreu, mas a sua vida nunca mais foi a mesma depois de Setembro de 1968.

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Kommentare

  1. Bom Dia Teresa

    Ontem perdi o "comboio", muitas postagens que ficaram para trás.Tive uma recaída e já estou farta de estar na cama.

    Quem diria? O Salazar um homem fatal! Não percebo o que estas mulheres viam nele. Gostos não se discutem. A mim sempre me deu ideia de meio padre, o que afugenta de imediato o meu interesse.

    Vou responder ao Grifo, porque o blog sexoalcoolenet encerrou.

    Beijinho, vou ver se ainda volto logo,
    Isabel

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  2. Teresa vi o comentário que deixou no António e trago-lhe a edição que tenho na língua materna:

    RALPH ELLISON(2001), Invisible Man, New York, Penguin Books

    Também já fui ao Grifo.

    Beijinho
    Isabel

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  3. Bom Dia Tetesa

    Quantos mais e maiores segredos nos guardava este personagem?

    Enfim... Temos que nos reportar um pouco ao seu tempo e mentalidade. Diz a Isabel que ele parecia meio padre ... E os padres inteiros??? (Sem ofensa para nenhum, porque cada pessoa tem a sua consciência e quem sou eu para dar palpites ...).

    É uma figura emblemática para o bem e para o muito mal, do qual ainda hoje estamos a pagar a factura ...
    Um abraço
    Licas

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  4. É verdade ...
    Aproveite bem essas visitas, que levaram um cheirinho e sabores do seu Portugal.

    Um abraço
    Licas

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  5. Acho que deu ontem o 1º episódio, mas esqueci-me de ver.
    Fiquei agarrada a mais um programa sobre o Freeport:(
    Vou ver hoje a 2ª parte.
    Beijinhos

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