Madame Bovary



"Desde o início do livro a descaracterização da idealizada mulher Romântica é evidente. Emma Bovary é uma mulher insaciável, inteligente e bela, mas é obrigada a casar com um apático e passivo médico de uma pequena cidade do interior da França. Ela vive em um constante estado de opressão, onde as sonhadas diversões urbanas que ela imaginava nunca são concretizadas. Sua vida vai ficando cada vez mais monótona e ela começa a se arriscar em aventuras muito mais sérias.
Emma começa a se relacionar com outro homem e rapidamente se torna sua amante. Depois desse amor não dar certo, ela se entrega a outro, muito mais jovem que ela, e por isso ele nunca tem coragem de assumir esse romance e os dois acabam se separando. Diante destas desilusões amorosas, de dívidas que fizera e com a alma despeitada, Emma Bovary se mata e deixa claro que prefere morrer a enfrentar os eventuais problemas da vida."
Luís Cristóvão
Music: Setting of the Sun - Ben Jelen

Kommentare

  1. Olá Teresa

    Madame Bovary fez-me sonhar muito porque via nela a rebelião contra os bons e mornos costumes que só servem para adormecer as mentes. Uma personagem, no entanto frágil, que não conseguiu encontrar na vida um meio eficiente para dar asas à sua inquietude.

    Só podia ter tido esse fim dramático, deixando uma interrogação que poderá descair no moralismo. Será que valeu a pena desestabilizar o meio ordenado, tendo rompido com os laços sagrados do matrimónio? De outra forma também se poderá ler este desejo de libertação como um retrato da época.

    Beijinhos
    Isabel

    p.s.Estes cabeçalhos são todos muitissimo bonitos. Têm um forte sentido plástico e são apelativos aos sentidos.

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  2. E volto para acrescentar que a linha de tensão entre a figura apática do marido e as incursões de Emma no mundo das sensações dificilmente poderia tornar-se ascendente. Por tal o tom dramático nunca poderia transformar-se ou desfazer-se. É uma possível leitura da artificialidade do mundo citadino, cheio de apelos ao fascínio do instante, de curta duração, em confronto com a melancolia da paisagem rural, ou da sua imutabilidade no tempo.

    Beijinho
    Isabel

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  3. Lembrei-me, ontem não pude comentar porque não conseguia postar o comentário.

    Agora vou mesmo, ainda às voltas com a carta.

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  4. oie, quanto tempo... desculpa a ausencia mas estava meio enrrolada com oi trab...

    bjs

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  5. eu li há muitos anos, emprestado de uma biblioteca e gostei bastante. hoje é mais difícil uma mulher se anular completamente por um casamento. tb pode se separar sem ser excluída da sociedade. mas eu vejo algumas bovarys por aí, infelizes com as vidas impostas. beijos, pedrita

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  6. A Pedrita tem razão, mas temos que tirar partido de algumas imposições do casamento, de contrário estavamos "tramadas"(desculpem o termo, mas está no dicionário).
    A VIDA NÃO É FÁCIL, MINHAS AMIGAS.
    Beijinhos
    Isabel

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  7. Emma Bovary não é vítima nesse casamento com o Charles. Ele é que é a verdadeira vítima. Escrevi um trabalho em alemão sobre esta personagem, que vou traduzir e postar aqui.
    Quando digo, que ela não é vítima, não estou a acusá-la por ter "rompido os lacos sagrados do matrimónio". Esse facto não está no meu trabalho em primeiro plano. O que eu quero dizer, ela não é vítima do marido, mas sim da sua fantasia doentia.
    Não precisam de estar de acordo comigo.
    Adoro uma boa discussão!!!

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  8. ematejoca, eu não vejo a bovary como vítima. mas como uma mulher que desejava mais do que o casamento pode dar. e como a única linguagem de libertação que conhecia era a afetiva, se envolveu com outro homem. mas poderia ter buscado como muitas nos periodos de guerra trabalhar na cruz vermelha. ou outras buscar trabalhos sociais. nem todas porque desejavam fazer bem ao próximo, mas porque queria alguma atividade em suas vidas paradas.

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  9. Teresa eu concordo com essa visão desapaixonada da personagem Emma, por isso disse que ela não soube encontrar um caminho que lhe pudesse proporcionar um melhor destino. E concerteza que o marido foi vítima, foi o único homem que a amou e ela não quis ser amada, preferiu refugiar-se num mundo de prazeres que de nada lhe serviram. É, no entanto, uma figura de paixões, desordenadas, mas que paixão será ordenada? Eu vejo o marido vítima do amor e Emma vítima de si mesma, mas apesar de tudo vítima por ser mulher, se tivesse sido homem não teria esse desfecho trágico. Os homens sempre tiveram amantes, paixões e nunca foram por isso punidos.

    Ainda só agora vou começar a tradução do poema de Poe. Isto dos currículos dá comigo em doida!

    Beijinhos
    Isabel

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  10. Lembro-me de ter lido e gostado, como romance de época...

    Mas não me lembro de muitos pormenores, tenho a vaga ideia que ele era uma mulher insatisfeita, em busca de algo que nem mesmo ela sabe bem! Posso estar enganada, que já o li há mais de 30 anos!

    Beijocas!

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