Saudação do 'Black Power' foi há 40 anos - As luvas pretas que ajudaram a mudar o mundo



A 16 de Outubro de 1968, nos Jogos Olímpicos do México, dois atletas negros norte-americanos levantaram o punho, cada um com uma luva preta, para protestar contra o racismo.

Expresso


Faz hoje precisamente 40 anos que Tommie Smith e John Carlos quiseram mostrar ao mundo que os direitos dos negros continuavam a não ser respeitados em muitas sociedades. No dia 16 de Outubro de 1968, em plenos Jogos Olímpicos (JO) do México, os dois atletas norte-americanos fizeram a saudação do 'Black Power' (poder negro).
Smith e Carlos tinham acabado de conseguir o 1.º e 3.º lugares, respectivamente, na final dos 200 metros. Juntamente com o australiano Peter Norman (2.º classificado), subiram ao pódio para a cerimónia de entrega das medalhas.
Norman, solidário com os atletas norte-americanos, envergou um casaco com as siglas do Projecto Olímpico pelos Direitos Humanos (OPHR). Segundo reza a história, foi mesmo o atleta australiano quem sugeriu aos seus companheiros que cada um usasse uma luva, pois Carlos tinha esquecido as suas na Aldeia Olímpica.
Depois, com o hino dos Estados Unidos ("Star Spangled Banner") a soar em todo o estádio, Smith e Carlos levantaram o braço em que tinham a luva preta, fecharam os olhos e inclinaram a cabeça para baixo. Um gesto que fez correr muita tinta por todo o mundo.
Sem ténis e apenas de meias pretas, os atletas pretenderam também simbolizar a "pobreza negra na racista sociedade norte-americana". Tudo isto numa altura em que a sociedade norte-americana sofria profundas mudanças. O país combatia a guerra do Vietname, onde muitas das vítimas foram norte-americanos negros, e lidava com o 'tumultuoso' Movimento pelos Direitos Civis. Como se não bastasse, poucos meses antes dos Jogos, Martin Luther King fora assassinado em Memphis, no Tenessee.
O gesto dos atletas norte-americanos mereceu a pronta condenação do Comité Olímpico Internacional. Ambos foram banidos para sempre dos Jogos Olímpicos, mas a sua atitude continua a ser lembrada até aos dias de hoje. Por toda a parte as reacções dividiram-se entre a condenação e a admiração pela atitude dos dois cidadãos norte-americanos.

2008, o regresso

Smith e Carlos tiveram oportunidade de regressar ao Estádio Azteca do México, onde tudo aconteceu, quarenta anos depois. "Estou feliz por voltar. É bom saber que deixámos um legado, que os nossos nomes estão associados aos melhores Jogos Olímpicos da história moderna. Estou orgulhoso e honrado", afirmou o campeão olímpico dos 200 metros em 1968.
A recordação da saudação 'Black Power' ganha outros contornos no contexto actual dos Estados Unidos. A menos de três semanas das eleições presidenciais norte-americanas, Barack Obama lidera as sondagens. Pela primeira vez na história um cidadão negro, afro-americano, pode chegar à presidência dos Estados Unidos da América. A acontecer, seria um dos pontos mais altos após décadas de luta anti-racista um pouco por todo o mundo. Smith e Carlos 'apenas' quiseram dar o seu contributo.


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