Fado Portugues de José Régio

O fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro,
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.


Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.


Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Este poema do José Régio é para si, Renard, para nao esquecer Vila do Conde, lá nessa cidade fantástica, que é Londres.

Kommentare

  1. Olá, minha Teresa de Longe, que belo e ao mesmo tempo singelo de José Régio. Já nem me lembrava dele, mas a gente começa a ler e recorda o estilo, a musicalidade. Porque os Poetas são tão diferentes, tão diferentes uns dos outros! Por isso e por respeitar a Poesia tenho sempre o cuidado de dizer que faço uns versos... Porque eu não tenho o meu próprio estilo.
    Gostei. Obrigada. Faz por nos encontrarmos. Se estiveres cá no dia 28 deste mês telefona: 917208033. Terás uma bela surpresa, tenho a certeza! Beijo, Carmo

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  2. É-me impossível estar aí no dia 28 deste mes, pois tenho cá em casa Portugal inteiro. Neste momento ainda estao em Sylt, mas no sábado cá os tenho todos. Quando se vao embora? Depende do pai do Diogo.
    Mas vou colocar o teu número de telefone no meu télemóvel portugues. Tens, querida Carmo, de me revelar a surpresa.
    Quanto ao teu amigo, tenho muito prazer de contactar com ele, apesar de eu nao ser muito amiga de ir ao cinema. Já nao vou ao cinema à quase dois anos. Vejo os Dvds no meu quarto na companhia do meu gato, Casimir.
    Bem, já fui 3 vezes ao Festival de Cinema em Berlim, mas isso é outra coisa. É uma loucura. De uma das vezes apanhei uma pneumonia. O Festival é em Fevereiro. Berlim coberto de neve. E eu dormia o máximo 3 horas por noite durante
    duas semanas.
    Diz-me aonde estás agora. E quanto tempo ficas em Portugal.
    Até breve!

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